Agronegócio responde por 29% da energia renovável no Brasil

Publicado em 15.10.25

O agronegócio não é apenas um consumidor de energia, mas um dos principais fornecedores das renováveis do país. O setor responde por cerca de 29% de toda a energia usada no Brasil e, dentro das fontes renováveis, sua contribuição chega a 60%

Os dados são do estudo “Dinâmicas de Demanda e Oferta de Energia pelo Agronegócio”, do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV.

Transição energética ganha nova dimensão no agro

Segundo Luciano Rodrigues, coordenador do núcleo de bioenergia do Observatório da FGV, o agronegócio brasileiro, tradicionalmente associado à produtividade e segurança alimentar, assume agora um papel estratégico na transição energética do país.

“Esse protagonismo não se restringe à quantidade de energia limpa ofertada no País, mas também aos destinos da bioenergia do agro, que se coloca como principal origem da matriz energética de vários setores industriais”, destacou Rodrigues

Dependência do diesel ainda é um desafio

Apesar da forte presença de fontes renováveis, 73% da energia usada diretamente na agropecuária brasileira em 2022 ainda veio de combustíveis fósseis, principalmente o diesel. Essa dependência torna o setor sensível a oscilações do petróleo e crises geopolíticas, segundo o estudo.

Eficiência energética da produção agropecuária

O indicador de uso de energia por valor da produção agropecuária mede a eficiência energética e econômica do setor.

Em 2022, o Brasil apresentou 1,9 GJ por mil dólares de valor bruto da produção agropecuária, próximo à média mundial (1,7 GJ/USD1000).

Isso reforça que o país gera alto valor agrícola com consumo energético eficiente, embora ainda haja espaço para melhorias em segmentos de menor valor agregado.

Brasil é fornecedor eficiente de alimentos

O consumo de energia por valor da produção de alimentos foi de 2,0 GJ/USD1000, índice superior à média global, mas inferior a países como Argentina (8,2), Canadá (4,3) e França (2,2).

O resultado confirma o posicionamento competitivo do Brasil como fornecedor global de alimentos, conciliando eficiência energética e sustentabilidade.

Bioenergia sustenta a matriz renovável do país

O agronegócio é responsável por mais da metade da energia renovável usada no Brasil, incluindo etanol, biodiesel, biogás, lenha e lixívia.

Sem essa contribuição, a participação de renováveis na matriz energética cairia de 49% para cerca de 20%, aproximando-se da média global de 15%.

Da lenha ao biogás: cinco décadas de evolução

Nos anos 1970, a bioenergia agropecuária era dominada por lenha e carvão vegetal. Com o Proálcool (1970-80), o etanol da cana passou a liderar a oferta renovável.

A partir de 2003, houve forte expansão e diversificação da agroenergia, com destaque para a bioeletricidade, o biodiesel e o crescimento da silvicultura energética.

Indústria e transportes lideram o consumo

O estudo mostra que a indústria é o principal consumidor da bioenergia do agro, absorvendo cerca de 50% da oferta total, seguida pelo setor de transportes, impulsionado pelo etanol e pelo biodiesel.

Já o setor energético tem ampliado o uso da biomassa para geração elétrica e térmica, especialmente nas usinas de cana e celulose.

Base de dados robusta e metodologia integrada

A pesquisa se baseia em dados do Balanço Energético Nacional (BEN), da FAO, IBGE, EPE e do modelo global GTAP-Power, permitindo uma análise detalhada da relação entre agropecuária e energia no Brasil.

Síntese

O estudo da FGV confirma que a bioenergia do agronegócio é um dos pilares da transição energética brasileira, combinando eficiência, sustentabilidade e inovação tecnológica.

A consolidação desse protagonismo reforça o papel do Brasil como líder global em produção agroindustrial e energia limpa.

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