IBGE estima safra de 344,1 milhões de toneladas de grãos no Brasil em 2026

Publicado em 16.03.26

silhouette of trees during sunset

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 344,1 milhões de toneladas em 2026, segundo a estimativa de fevereiro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).

O volume projetado representa uma queda de 0,6% em relação à safra de 2025, que atingiu 346,1 milhões de toneladas. Em comparação com a estimativa divulgada em janeiro, no entanto, houve revisão positiva de 0,4%, equivalente a 1,4 milhão de toneladas.

A área total a ser colhida foi estimada em 82,9 milhões de hectares, aumento de 1,6% em relação ao ano anterior.

Soja segue como principal cultura

Entre as principais culturas do país, a soja mantém a liderança. A produção estimada para 2026 é de 173,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% frente a 2025 e novo recorde na série histórica da pesquisa.

A área cultivada deve alcançar 48,2 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio foi estimado em cerca de 3,6 toneladas por hectare.

Condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras e a recuperação da safra no Rio Grande do Sul contribuem para o desempenho da cultura.

Milho e arroz apresentam recuo

A produção de milho foi estimada em 134,3 milhões de toneladas, queda de 5,3% em relação a 2025.

Na primeira safra, a estimativa é de 28,9 milhões de toneladas, aumento de 12,2% frente ao ano anterior. Já a segunda safra deve alcançar 105,4 milhões de toneladas, recuo de 9,1%.

Para o arroz, a produção estimada é de 11,6 milhões de toneladas, redução de 8,0% em comparação com 2025.

Outras culturas

Entre os demais produtos, o IBGE estima produção de:

  • 7,7 milhões de toneladas de trigo (-1,6% em relação a 2025)
  • 8,8 milhões de toneladas de algodão em caroço (-10,5%)
  • 4,9 milhões de toneladas de sorgo (-9,5%)
  • 3,0 milhões de toneladas de feijão (-0,2%)

Regionalização da produção

O Centro-Oeste segue como principal região produtora de grãos do país, com estimativa de 167,9 milhões de toneladas, equivalente a 48,8% da produção nacional.

Na sequência aparecem:

Sul: 95,2 milhões de toneladas (27,7%)

Sudeste: 30,5 milhões de toneladas (8,9%)

Nordeste: 28,9 milhões de toneladas (8,4%)

Norte: 21,5 milhões de toneladas (6,2%)

Entre os estados, Mato Grosso lidera a produção nacional, com participação de 30,2% da safra estimada. Em seguida aparecem Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,7%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,5%).

Juntos, esses estados devem responder por quase 80% da produção brasileira de grãos em 2026.

Café deve atingir novo recorde

Para o café, a estimativa é de produção total de 3,8 milhões de toneladas, equivalentes a 64,1 milhões de sacas de 60 kg. O volume representa crescimento de 11,5% em relação a 2025 e recorde na série histórica do levantamento.

A produção de café arábica foi estimada em 2,6 milhões de toneladas, enquanto o café canephora (conilon e robusta) deve atingir 1,2 milhão de toneladas.

Cana-de-açúcar e canola

A produção de cana-de-açúcar foi estimada em 700,4 milhões de toneladas, volume 0,4% inferior ao registrado em 2025.

Já a canola teve produção estimada em 298,9 mil toneladas. O grão passou a ser acompanhado oficialmente pelo IBGE em 2026 devido à expansão recente da cultura no Rio Grande do Sul, onde vem ganhando espaço como alternativa de inverno.

Expectativas climáticas

O levantamento também destaca que as condições climáticas continuarão sendo um fator determinante para o desempenho das lavouras ao longo do ano.

A evolução das chuvas e a possível influência do fenômeno El Niño podem afetar culturas como soja, milho e sorgo de forma distinta nas diferentes regiões produtoras do país.

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