Projeto internacional busca medir emissões da aquicultura
A ausência de diretrizes específicas para medir emissões de gases de efeito estufa na aquicultura tem mobilizado uma iniciativa internacional liderada pela FAO, com coordenação da Embrapa Meio Ambiente. O objetivo é desenvolver uma metodologia inédita que permita mensurar e reportar as emissões do setor de forma padronizada.
Hoje, ao contrário do que ocorre na agricultura e na pecuária, não existem orientações oficiais do IPCC para a aquicultura. Na prática, isso dificulta a construção de inventários nacionais consistentes e limita a inserção da atividade em políticas climáticas e mecanismos de financiamento.
Setor cresce, mas ainda sem padrão
A demanda por métricas mais claras ganha relevância diante do crescimento da aquicultura no mundo. O setor já supera a pesca de captura na produção global de animais aquáticos, consolidando-se como uma atividade estratégica para a segurança alimentar .
Apesar desse avanço, a falta de padronização impede comparações entre sistemas produtivos e dificulta a avaliação do impacto ambiental da atividade, tanto no Brasil quanto em outros países.
Construção de uma metodologia global
Para enfrentar esse desafio, o projeto reúne especialistas de diferentes países, incluindo Brasil, China, Estados Unidos, Uruguai e Zimbábue. A proposta é estruturar uma metodologia robusta, baseada em dados de atividade, fatores de emissão e modelos científicos que permitam estimativas mais confiáveis.
As diretrizes deverão contemplar diferentes sistemas produtivos, como piscicultura em viveiros escavados e cultivo de bivalves, incluindo ostras e mexilhões. O uso de tecnologias como sensoriamento remoto e modelagem preditiva deve apoiar a geração de dados, especialmente em regiões com menor disponibilidade de informações .
Papel do Brasil na iniciativa
Unidades da Embrapa terão papel estratégico na construção dessas diretrizes. A atuação inclui desde a caracterização de sistemas produtivos até o monitoramento global da atividade, além da articulação institucional para alinhamento com padrões internacionais.
A iniciativa também dialoga com projetos já em andamento no Brasil, voltados ao mapeamento da aquicultura e à geração de indicadores que apoiem a gestão do setor.
Impacto para políticas e mercado
A criação de uma metodologia padronizada pode ampliar a inserção da aquicultura nas políticas climáticas e fortalecer sua participação em mercados e iniciativas internacionais voltadas à sustentabilidade.
Mais do que mensurar emissões, o avanço das métricas contribui para orientar decisões, apoiar produtores e promover sistemas produtivos mais eficientes e com menor impacto ambiental.
Próximos passos
Como etapa final, o projeto prevê a realização de um workshop internacional no Brasil para validar as metodologias propostas antes de sua submissão ao IPCC.
A expectativa é construir um consenso técnico que permita incluir a aquicultura nas diretrizes climáticas globais, preenchendo uma lacuna histórica e ampliando a transparência sobre o impacto ambiental do setor.
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