Mulheres lideram projetos de sociobiodiversidade na Amazônia

As mulheres estão à frente da maior parte das organizações comunitárias apoiadas pelo Fundo Legado Integrado da Região Amazônica (LIRA), iniciativa que fortalece negócios da sociobiodiversidade na Amazônia Legal. Segundo levantamento divulgado pela Globo Rural, 75% das associações participantes têm mulheres na coordenação ou em cargos de direção.
Criado em 2020, o Fundo LIRA tem como objetivo fortalecer organizações comunitárias, ampliar a infraestrutura para beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade e incentivar a autonomia de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações rurais na gestão de seus próprios projetos. Além do apoio financeiro, a iniciativa oferece capacitação técnica e promove conexões com instituições parceiras para facilitar o acesso a novos mercados, financiamentos e processos de regularização.
No ciclo 2025-2026, o programa apoia 53 projetos distribuídos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal, abrangendo sete estados e beneficiando diretamente mais de 1,2 mil pessoas. O investimento é de aproximadamente R$ 7 milhões e contempla iniciativas voltadas à produção de fitoterápicos indígenas, biocosméticos, óleos vegetais e outros produtos derivados da biodiversidade, além de ações de preservação dos conhecimentos tradicionais.
Esta segunda etapa do Fundo LIRA trouxe uma novidade importante: projetos coordenados por mulheres ou que contam com mulheres em cargos de direção passaram a receber maior pontuação no processo de seleção. A medida reforça o protagonismo feminino em iniciativas que unem conservação ambiental, geração de renda e valorização dos saberes tradicionais, especialmente em territórios indígenas, unidades de conservação e comunidades quilombolas.
Entre os exemplos destacados estão o Instituto Juma, na Terra Indígena Xipaya, no Pará, que estruturou um espaço para a produção de fitoterápicos baseados na medicina tradicional indígena, e a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra e Região (Amélias da Amazônia), que ampliou sua infraestrutura para fabricar óleos, sabonetes, pomadas e outros produtos derivados da floresta.
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