Projeto internacional preserva sementes crioulas na América do Sul

Publicado em 20.07.26
Agricultoras selecionam espigas de milho durante oficina na Argentina

Conhecimento que nasce no campo

Como desenvolver sementes mais adaptadas às condições locais sem perder a diversidade genética construída ao longo de gerações? Essa é a proposta do Projeto Raízes Agroecológicas, iniciativa que reúne agricultores, pesquisadores e instituições da Argentina, Bolívia, Brasil e Colômbia para fortalecer os sistemas locais de sementes e promover a conservação da agrobiodiversidade.

Como parte desse trabalho, o projeto lançou um vídeo educativo que apresenta técnicas de seleção participativa de sementes, tornando esse conhecimento acessível a agricultores, estudantes, técnicos e pesquisadores.

Ciência e saber tradicional lado a lado

A metodologia adotada é baseada no chamado Melhoramento Genético Participativo, modelo em que agricultores e pesquisadores trabalham conjuntamente na seleção das plantas mais adaptadas às condições de cada território.

Em vez de concentrar o processo apenas em laboratórios, a seleção acontece diretamente nas propriedades rurais, considerando características como vigor, produtividade, resistência a pragas, doenças e capacidade de adaptação às condições climáticas locais.

Sementes para enfrentar novos desafios

O material apresenta, entre outros exemplos, o trabalho realizado com a variedade crioula de milho “100 Dias”, cultivada há cerca de quatro décadas na província argentina de Misiones.

Ao longo dos anos, a variedade demonstrou capacidade de adaptação às condições locais, mantendo bom desempenho mesmo em cenários de seca, pressão de pragas e doenças.

A experiência evidencia como a conservação da diversidade genética pode contribuir para aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas diante das mudanças climáticas.

Agrobiodiversidade como estratégia

Outro tema abordado é o uso de corredores agroecológicos, sistemas que combinam diferentes culturas agrícolas e plantas de cobertura para favorecer o equilíbrio biológico, conservar a fertilidade do solo e reduzir a necessidade de insumos externos.

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, práticas desse tipo fortalecem a sustentabilidade da produção e ajudam a preservar recursos genéticos fundamentais para a agricultura do futuro.

Cooperação que ultrapassa fronteiras

A iniciativa reúne instituições como a Embrapa, do Brasil; o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina; o Instituto Nacional de Inovação Agropecuária e Florestal (INIAF), da Bolívia; e a AGROSAVIA, da Colômbia, além de organizações internacionais voltadas ao desenvolvimento rural.

Mais do que registrar experiências, o projeto busca criar uma rede de intercâmbio de conhecimentos entre agricultores e pesquisadores, fortalecendo estratégias de conservação da biodiversidade agrícola e ampliando a autonomia das famílias produtoras.

Um patrimônio para o futuro

Em um cenário de mudanças climáticas e crescente demanda por sistemas produtivos mais resilientes, iniciativas voltadas à conservação das sementes crioulas ganham importância estratégica.

Ao integrar conhecimento científico e saberes tradicionais, projetos como o Raízes Agroecológicas demonstram que preservar a diversidade genética das culturas agrícolas também significa ampliar a capacidade de adaptação da agricultura, fortalecer a segurança alimentar e garantir novas oportunidades para as próximas gerações.

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