Projeto internacional preserva sementes crioulas na América do Sul

Conhecimento que nasce no campo
Como desenvolver sementes mais adaptadas às condições locais sem perder a diversidade genética construída ao longo de gerações? Essa é a proposta do Projeto Raízes Agroecológicas, iniciativa que reúne agricultores, pesquisadores e instituições da Argentina, Bolívia, Brasil e Colômbia para fortalecer os sistemas locais de sementes e promover a conservação da agrobiodiversidade.
Como parte desse trabalho, o projeto lançou um vídeo educativo que apresenta técnicas de seleção participativa de sementes, tornando esse conhecimento acessível a agricultores, estudantes, técnicos e pesquisadores.
Ciência e saber tradicional lado a lado
A metodologia adotada é baseada no chamado Melhoramento Genético Participativo, modelo em que agricultores e pesquisadores trabalham conjuntamente na seleção das plantas mais adaptadas às condições de cada território.
Em vez de concentrar o processo apenas em laboratórios, a seleção acontece diretamente nas propriedades rurais, considerando características como vigor, produtividade, resistência a pragas, doenças e capacidade de adaptação às condições climáticas locais.
Sementes para enfrentar novos desafios
O material apresenta, entre outros exemplos, o trabalho realizado com a variedade crioula de milho “100 Dias”, cultivada há cerca de quatro décadas na província argentina de Misiones.
Ao longo dos anos, a variedade demonstrou capacidade de adaptação às condições locais, mantendo bom desempenho mesmo em cenários de seca, pressão de pragas e doenças.
A experiência evidencia como a conservação da diversidade genética pode contribuir para aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas diante das mudanças climáticas.
Agrobiodiversidade como estratégia
Outro tema abordado é o uso de corredores agroecológicos, sistemas que combinam diferentes culturas agrícolas e plantas de cobertura para favorecer o equilíbrio biológico, conservar a fertilidade do solo e reduzir a necessidade de insumos externos.
Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, práticas desse tipo fortalecem a sustentabilidade da produção e ajudam a preservar recursos genéticos fundamentais para a agricultura do futuro.
Cooperação que ultrapassa fronteiras
A iniciativa reúne instituições como a Embrapa, do Brasil; o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina; o Instituto Nacional de Inovação Agropecuária e Florestal (INIAF), da Bolívia; e a AGROSAVIA, da Colômbia, além de organizações internacionais voltadas ao desenvolvimento rural.
Mais do que registrar experiências, o projeto busca criar uma rede de intercâmbio de conhecimentos entre agricultores e pesquisadores, fortalecendo estratégias de conservação da biodiversidade agrícola e ampliando a autonomia das famílias produtoras.
Um patrimônio para o futuro
Em um cenário de mudanças climáticas e crescente demanda por sistemas produtivos mais resilientes, iniciativas voltadas à conservação das sementes crioulas ganham importância estratégica.
Ao integrar conhecimento científico e saberes tradicionais, projetos como o Raízes Agroecológicas demonstram que preservar a diversidade genética das culturas agrícolas também significa ampliar a capacidade de adaptação da agricultura, fortalecer a segurança alimentar e garantir novas oportunidades para as próximas gerações.
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