Criação de abelhas sem ferrão ganha espaço nas cidades e gera novas oportunidades
A criação de abelhas nativas sem ferrão, tradicionalmente associada ao meio rural, vem ganhando espaço nas cidades e atraindo novos produtores. A atividade pode ser desenvolvida em pequena escala e já movimenta negócios relacionados à produção de mel, comercialização de colônias, consultorias e capacitação.

Em Ribeirão Preto (SP), o apicultor Anderson Magalhães chegou a manter 120 colônias de 36 espécies em área urbana. Hoje, possui mais de 600 colmeias em produção em parceria com agricultores da região e também trabalha com consultoria. Em São Carlos (SP), a bióloga Juliana Massimino Feres iniciou a criação em ambiente urbano e chegou a manter 50 caixas. A atividade deu origem a um projeto de incentivo à meliponicultura e, posteriormente, à marca de mel Eborá, que atualmente representa 30% de sua renda.
Atividade aproxima produção e conservação
Além do potencial econômico, a meliponicultura pode contribuir para a conservação dos polinizadores e a restauração de ecossistemas. Nas áreas urbanas, porém, o manejo exige atenção a fatores como a disponibilidade de floradas e o uso de inseticidas.
Em Jaboticabal (SP), o meliponicultor Gustavo Siniscalchi mantém quatro apiários em área urbana e um na zona rural. Segundo ele, aplicações de inseticidas, inclusive aquelas destinadas ao controle de mosquitos transmissores de doenças, podem atingir as colônias e provocar a perda de enxames.
Capacitação impulsiona novos criadores
O aumento do interesse pela atividade também levou a Embrapa Meio Ambiente a ampliar sua oferta de capacitação. Durante a pandemia, a unidade lançou um curso online sobre meliponicultura, que já recebeu 15 mil inscrições. A procura levou à criação de uma nova edição, voltada especificamente aos desafios da criação em ambientes urbanos.
O movimento também favorece o surgimento de criadores especializados na multiplicação e comercialização de colônias, ampliando as oportunidades econômicas e contribuindo para a profissionalização da atividade.
São Paulo tem mais de mil meliponários
A Secretaria de Agricultura de São Paulo contabiliza 1.121 meliponários no estado, dos quais 141 estão na capital. Embora o levantamento não diferencie unidades urbanas e rurais, a Defesa Agropecuária reconhece o crescimento da atividade entre moradores das cidades.
A expansão exige também atenção às questões ambientais e sanitárias. Por serem espécies nativas, as colônias devem ser cadastradas junto à Secretaria de Meio Ambiente local e registradas na Defesa Agropecuária para acompanhamento sanitário
O avanço da meliponicultura urbana mostra como uma atividade ligada ao campo vem encontrando novos espaços e modelos de negócio nas cidades. Com capacitação, manejo adequado e acompanhamento sanitário, a criação de abelhas sem ferrão pode ampliar a geração de renda e contribuir para a conservação dos polinizadores.
Negócios
ver mais
Safra recorde e maior processamento impulsionam cadeia da soja
Abelhas