Embrapa apresenta 163 medidas para reduzir riscos climáticos no campo

Publicado em 01.09.26

Estratégia vai além do El Niño

A Embrapa apresentou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma Nota Técnica com 163 medidas para reduzir os riscos de perdas causadas por eventos climáticos na agropecuária brasileira. Elaborado em razão da ocorrência do El Niño na safra 2026/2027, o documento propõe uma abordagem mais ampla, voltada à gestão permanente dos riscos climáticos.

Das 163 recomendações, 14 são transversais a todas as atividades agropecuárias, 139 são específicas para diferentes cadeias produtivas e dez estão relacionadas a políticas públicas e ações de apoio. Cerca de 50 especialistas participaram da elaboração do documento, no âmbito do Grupo de Trabalho sobre El Niño criado pelo Mapa, com participação também do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Segundo a Embrapa, a proposta é fortalecer a capacidade do setor de antecipar, monitorar e responder a eventos como secas, excesso de chuvas, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios.

Medidas para diferentes realidades do campo

A nota técnica considera os principais riscos climáticos e seus possíveis impactos sobre grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura.

As recomendações foram organizadas de acordo com o risco tratado, o prazo para implementação — imediato, curto, médio ou longo prazo — e as condições necessárias para sua adoção.

Entre as medidas transversais estão o monitoramento das previsões meteorológicas, uso de dados locais, adoção do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), diversificação espacial e temporal da produção, sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Também são recomendados planos de contingência para eventos climáticos adversos, manutenção da infraestrutura das propriedades, registro dos impactos climáticos, capacitação de equipes, criação de reservas financeiras e utilização de seguro rural e outros mecanismos de transferência de riscos.

Para cada cadeia produtiva, as recomendações incluem medidas relacionadas ao manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das operações, estruturas de proteção, drenagem e irrigação, entre outras estratégias.

Políticas públicas também fazem parte da gestão

As dez medidas de apoio propostas pela Embrapa envolvem ações institucionais, financeiras, científicas, tecnológicas e de assistência técnica que não dependem diretamente do produtor.

Entre elas estão o fortalecimento do Zarc, a ampliação de mecanismos de financiamento para adaptação climática, o aperfeiçoamento do seguro rural, o fortalecimento da assistência técnica e da pesquisa e a melhoria dos sistemas de monitoramento agrometeorológico.

A Embrapa também recomenda o fortalecimento da gestão integrada de recursos hídricos, o monitoramento das políticas de adaptação, a ampliação da capacidade de prevenção, detecção e combate a incêndios rurais e florestais e programas de recuperação da cobertura vegetal em áreas vulneráveis.

Recomendações regionais serão ampliadas

O documento também apresenta os efeitos históricos do El Niño e as projeções para a safra 2026/2027. A expectativa é de maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Centro-Norte e acima da média na Região Sul. A Embrapa ressalta, porém, que essas projeções aumentam o nível de risco, mas não determinam antecipadamente os impactos sobre cada região, cultura ou sistema produtivo.

A instituição prepara ainda notas técnicas com recomendações específicas para as regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, previstas para publicação até meados de setembro. O documento com orientações para a Região Sul já está disponível.

A iniciativa integra o trabalho do Grupo de Trabalho instituído pelo Mapa para avaliar os impactos do El Niño na agropecuária brasileira. A proposta, segundo a Embrapa, é contribuir para uma transição de uma gestão predominantemente reativa para uma cultura permanente de antecipação, preparação, adaptação, monitoramento e aprendizagem diante dos riscos climáticos.

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