Produção de etanol avança com milho, mas segue atrelada ao consumo nacional

Publicado em 15.08.25

Apesar de o Brasil possuir a maior frota de automóveis flex do mundo, o consumo de etanol hidratado segue concentrado em apenas seis estados – São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul –, responsáveis por 80% das vendas nacionais

Essa concentração contrasta com os 45% de veículos bicombustíveis que circulam nos outros 21 estados e no Distrito Federal, onde o consumo representa apenas 20% da produção. Para o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, a disparidade reflete questões logísticas, competitividade frente à gasolina e políticas tributárias regionais, mas também aponta para grande potencial de expansão.

“Fatores como a infraestrutura de postos, a competitividade de preços em relação à gasolina e políticas tributárias regionais explicam parte desta disparidade. Com a reforma tributária prevista para 2027 e a expansão da produção de etanol de milho, a expectativa é que o acesso ao combustível possa se tornar mais amplo em todo o território nacional”

Além das oportunidades globais, como o uso do etanol para navegação marítima, a fabricação de combustíveis sustentáveis para aviação (SAFs, na sigla em inglês) e novas políticas de mistura de combustíveis renováveis aos fósseis no mercado internacional, o Brasil continua sendo uma das maiores fronteiras de expansão para o etanol. O crescimento da produção do biocombustível a partir do milho e o aumento do consumo interno podem ser fundamentais para absorver o volume crescente de produção nos próximos anos.

Potencial de mercado e obstáculos

Com 78% da frota nacional composta por modelos flex, apenas 24% abastecem com etanol. Segundo Ono, cada ponto percentual de aumento nessa participação representa 850 mil m³ adicionais de consumo, o que poderia gerar um acréscimo de 5 milhões de litros se a taxa chegasse a 30%. Experiências positivas em estados como São Paulo (42% de participação) e Mato Grosso (mais de 50%) mostram que a elevação é viável, enquanto em outras regiões o uso não ultrapassa 8% e há carência de infraestrutura nos postos.

Medidas para impulsionar o consumo

A Reforma Tributária é vista como fundamental para aumentar a competitividade do etanol frente à gasolina. Outra estratégia é a expansão do etanol de milho, que já atinge estados fora do cinturão canavieiro, reduzindo custos logísticos. Enquanto a produção de cana permanece estagnada há mais de dez anos, em 600 milhões de toneladas no Centro-Sul e 60 milhões no Norte e Nordeste, o milho avança rapidamente: na safra 2024/25, o etanol de cana caiu 2% (26,76 bilhões de litros), mas o de milho cresceu 31%, atingindo 8,19 bilhões de litros, com previsão de alcançar 10 bilhões em 2025/26, segundo informações da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM).

Comunicação com o consumidor

Ono defende que o setor precisa melhorar a comunicação com o público, destacando benefícios ambientais e econômicos do etanol. Ele lembra que medidas recentes, como o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 30% (E30) e a adoção da monofasia no imposto federal, ampliaram a competitividade do biocombustível, mas não foram devidamente compreendidas pela população devido à falta de divulgação clara dessas mudanças.

“Falamos muito dos benefícios dos biocombustíveis, mas o segmento comunica mal. Precisamos mostrar ao consumidor todas as externalidades positivas do etanol”, enfatiza o executivo.

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