Mulheres ampliam presença na gestão do agro

A participação feminina na gestão do agronegócio brasileiro avançou nos últimos dez anos. É o que mostra o estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, lançado pela ABAG durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), com correalização da Serasa Experian, pesquisa da Fran6 Pesquisa e patrocínio do Sistema FAESP/SENAR.
O levantamento combina dados nacionais de mercado com pesquisas quantitativa e qualitativa realizadas com gestoras e produtoras de diferentes regiões do País.
Mais mulheres nas decisões e na propriedade
Segundo a Serasa Experian, as mulheres representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais decisores do Brasil. Os dados também mostram desempenho consistente no acesso e comportamento de crédito: as produtoras apresentam taxas de inadimplência inferiores às dos homens. Entre as grandes proprietárias, o índice é de 6,85%, enquanto entre as mulheres da Região Sul chega a 5,4%.
Na pesquisa da Fran6, 91% das entrevistadas são proprietárias, total ou parcialmente, do negócio rural, avanço de 10 pontos percentuais em relação ao levantamento de dez anos atrás.
A qualificação também cresceu. O percentual de gestoras com pós-graduação passou de 24%, em 2015, para 46%, em 2026, enquanto 77% possuem ensino superior completo.
Tecnologia amplia autonomia
A tecnologia aparece como outro elemento importante dessa transformação. Drones, telemetria, sistemas de gestão e outras soluções digitais fazem parte da rotina de 71% das gestoras, que afirmam operar essas ferramentas de forma independente ou parcialmente independente.
O estudo também identifica uma liderança marcada pelo diálogo, planejamento e visão holística do negócio. O apoio familiar, as redes de cooperação e o cooperativismo aparecem entre os fatores que contribuem para a atuação das mulheres na gestão rural.
Gestão e sustentabilidade
As práticas sustentáveis também fazem parte da rotina das gestoras entrevistadas, associadas à eficiência da operação e à preservação do patrimônio e do legado. Entre as iniciativas identificadas estão o uso de bioinsumos, biodigestores, manejo hídrico, bem-estar animal e genômica.
A pesquisa qualitativa, que ouviu 25 produtoras, pecuaristas e agroindustriais de todas as regiões do País, também identificou desafios como barreiras culturais e a gestão da dupla jornada.
Para a ABAG, os resultados mostram uma transformação que envolve formação, tecnologia, gestão e acesso ao crédito e que amplia a participação feminina nas decisões estratégicas do agronegócio.
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