Fintechs concedem R$ 35,5 bilhões em crédito em 2024

Publicado em 19.08.25

O ecossistema de fintechs no Brasil mostrou capacidade de adaptação em um cenário de juros elevados, liquidez restrita e instabilidade internacional. A Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, realizada pela PwC Brasil e pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), aponta que o volume de crédito concedido pelas empresas respondentes em 2024 alcançou R$ 35,5 bilhões, crescimento de 68% frente ao ano anterior (R$ 21,1 bilhões)

Segundo Willer Marcondes, sócio para serviços financeiros na Strategy&, consultoria estratégica da PwC Brasil, “a expansão consistente das fintechs é um mérito das empresas que souberam navegar em águas turbulentas com estratégia, inovação e eficiência, construindo resultados sólidos apesar de um ambiente econômico desafiador”

Base de clientes em crescimento

A pesquisa mostra que a base de clientes superou 67,5 milhões de pessoas físicas, alta de 26% em relação ao ano anterior. No crédito para empresas, o avanço foi de 67%, incluindo micro e pequenas (71,7%), mas também grandes companhias, com cerca de 800 clientes com faturamento acima de R$ 300 milhões.

Esse avanço reflete não apenas crescimento quantitativo, mas também a capacidade das fintechs de explorar novos nichos, consolidar mercados e expandir suas estruturas: um quarto das empresas já conta com mais de 300 colaboradores e 13% ultrapassaram a marca de mil profissionais.

Fontes de financiamento

Outro destaque da pesquisa é o uso de capital próprio como principal fonte de financiamento para sustentar a expansão. Quase metade das fintechs (46%) utiliza recursos próprios, superando opções tradicionais como crédito bancário ou captação no mercado de capitais. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) também se consolidam como importante canal de captação.

Inovação

O estudo revela que 52% das fintechs investiram em novos produtos em 2024, contra 35% na edição anterior. O foco em nichos estratégicos, como crédito para pequenas e médias empresas e crédito com garantias, vem ampliando a presença das fintechs em segmentos antes dominados por grandes bancos.

“A diversificação de produtos dentro do portfólio é uma estratégia para aumentar o LTV (life time value) do cliente. O produto de crédito tem recorrência de receita, mas baixa recorrência de novas operações. Quando se amplia a oferta com soluções complementares e relevantes, aumenta-se significativamente a chance de manter o cliente engajado por mais tempo e com maior valor agregado”, afirma Ann Williams, diretora-presidente da ABCD e COO da Creditas.

Ann também destaca que a expansão dos empréstimos com garantias, associada ao uso de tecnologia, trouxe impacto positivo para a inadimplência: no crédito para empresas, a taxa caiu de 5,3% para 3,4%, enquanto no crédito a pessoas físicas se manteve estável, mesmo em um perfil de risco mais elevado.

Inteligência Artificial

A tecnologia segue no centro da estratégia das fintechs, com destaque para a Inteligência Artificial (IA). O levantamento aponta que 67% das empresas já estão desenvolvendo ou estudando soluções de IA, mais que o dobro da edição anterior (31%).

Mais da metade (55%) das fintechs pretende adotar alguma aplicação nos próximos dois anos, com foco em automação de processos internos, redução de custos e melhoria na qualidade dos serviços. No relacionamento com clientes, a IA aparece em chatbots mais sofisticados, mas a aplicação da IA generativa no atendimento ainda é tratada com cautela, à espera de regulamentação no Brasil.

Tendências relevantes para os próximos anos

  • Pix e Open Finance devem ganhar adesão, com 29% e 44% das fintechs planejando entrar nessas iniciativas.
  • DREX (Real Digital) desperta interesse: embora apenas 2% já atuem, 33% têm planos de adoção.
  • O modelo Credit as a Service (CaaS) vem ganhando força, permitindo que empresas de outros setores lancem serviços financeiros personalizados.

A edição 2025 da pesquisa contou com a participação de 44 fintechs brasileiras, com metodologia ajustada para garantir comparabilidade dos dados ao longo do tempo.

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