Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 56% e batem recorde em 2025
O agronegócio brasileiro registrou em 2025 o maior número de pedidos de recuperação judicial desde o início da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2021. Ao longo do ano foram contabilizadas 1.990 solicitações, considerando produtores rurais pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas ligadas à cadeia do setor.
O volume representa crescimento de 56,4% em relação a 2024, quando foram registrados 1.272 pedidos. Em dois anos, o avanço foi ainda mais expressivo: em 2023, o total era de 534 solicitações.
Pressão financeira no setor
Segundo a análise da Serasa Experian, o aumento dos pedidos reflete um cenário de maior pressão sobre o fluxo de caixa de produtores e empresas do setor. Entre os fatores apontados estão condições de crédito mais restritivas, custos de produção elevados e níveis mais altos de endividamento acumulados em ciclos anteriores de expansão.
Nesse contexto, a recuperação judicial tem sido utilizada como instrumento legal para reorganização financeira e negociação de dívidas com credores.
Distribuição regional
Entre os estados, Mato Grosso liderou o número de solicitações em 2025, com 332 pedidos de recuperação judicial. Em seguida aparecem Goiás (296), Paraná (248), Mato Grosso do Sul (216) e Minas Gerais (196).
A concentração nos estados do Centro-Oeste e do Sul acompanha a distribuição da produção agrícola no país, especialmente em regiões com grande volume de crédito rural contratado para o financiamento das atividades.
Perfil dos requerentes
Os produtores rurais pessoa física concentraram o maior número de pedidos em 2025, com 853 solicitações, crescimento de 50,7% em relação ao ano anterior.
Já os produtores organizados como pessoa jurídica registraram o maior avanço percentual: foram 753 pedidos, aumento de 84,1% frente a 2024.
Empresas vinculadas à cadeia do agronegócio, como processadoras, distribuidoras de insumos, tradings e prestadoras de serviços agrícolas, somaram 384 solicitações, alta de 29,3% na comparação anual.
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