Menos fruta, mais pressão: safra de laranja deve cair 13%

A safra de laranja 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro deve somar 255,2 milhões de caixas, segundo estimativa do Fundecitrus.
O volume representa uma queda de 12,9% em relação à safra anterior e também fica abaixo da média dos últimos dez anos, indicando um cenário mais desafiador para o setor.
Bienalidade e clima impactam produção
Parte dessa retração é explicada pela bienalidade (periodicidade de dois anos) da cultura, característica natural dos pomares de alternarem anos de maior e menor produção.
Além disso, condições climáticas irregulares ao longo do ciclo influenciaram o desenvolvimento das plantas. Períodos de estiagem, seguidos por chuvas concentradas, afetaram o pegamento dos frutos e a uniformidade da safra.
A dinâmica das floradas também foi impactada, com maior predominância da segunda florada, o que contribui para uma colheita menos homogênea.
Greening pressiona
Outro fator relevante é o avanço do greening, principal doença da citricultura, que continua pressionando a produtividade dos pomares.
Levantamentos recentes indicam que a doença já atinge uma parcela significativa das lavouras, afetando diretamente o número de frutos por árvore e aumentando as perdas ao longo do ciclo .
Menos frutos, maior peso
Apesar da redução no volume total, os frutos devem apresentar maior peso médio nesta safra, reflexo da menor carga por planta e de melhores condições hídricas em parte do período de desenvolvimento.
Ainda assim, o ganho de peso não é suficiente para compensar a queda no número de frutos, principal fator por trás da retração produtiva.
Queda de produtividade
A produtividade média também deve recuar, impactada pelo aumento da queda prematura de frutos e pelas perdas ao longo da safra.
Fatores fitossanitários, como o greening e a leprose, somados às condições climáticas e à tendência de colheita mais tardia, contribuem para esse cenário de menor rendimento por hectare.
Gestão e tecnologia ganham importância
Diante desse contexto, o manejo mais rigoroso e o monitoramento constante dos pomares tornam-se ainda mais estratégicos para mitigar perdas e sustentar a produção.
O uso de dados e metodologias mais precisas de estimativa também ganha relevância, permitindo ajustes ao longo da safra conforme o comportamento dos frutos e das condições climáticas.
Cenário de atenção
A nova estimativa reforça um momento de atenção para a citricultura brasileira, que combina desafios climáticos, pressão de doenças e oscilações naturais da cultura.
Mesmo assim, o setor segue investindo em tecnologia e gestão para manter sua competitividade e garantir o abastecimento de um mercado em que o Brasil é referência global.
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