Crédito do Programa ABC ajudou a recuperar pastagens em Minas Gerais

Publicado em 19.09.25

Um estudo conduzido no campus da Unesp em Franca (SP) avaliou o impacto do Programa ABC (atual RenovAgro) sobre a pecuária mineira entre 2013 e 2020. A pesquisa mostrou que as linhas de crédito oferecidas a produtores rurais colaboraram para reduzir em mais de 40% as pastagens semidegradadas no estado, além de ampliar a proporção de pastos considerados saudáveis

Contexto da pecuária no Brasil

Em 2024, o Brasil possuía 238,6 milhões de cabeças de gado, sendo 90% do rebanho criado em pastagens — um dos maiores diferenciais competitivos da pecuária nacional. No entanto, mais de 100 milhões de hectares apresentam algum nível de degradação, o que afeta a produtividade, compromete a fertilidade do solo e amplia as emissões de gases de efeito estufa.

Estratégia de mitigação climática

A recuperação de áreas degradadas é considerada uma das principais estratégias do país para cumprir compromissos climáticos, como o Acordo de Paris. Programas de crédito, como o Plano Safra, o Pronaf e o próprio Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Áreas Agrícolas Sustentáveis (PNCPD), lançado em 2023, reforçam essa agenda.

A iniciativa também busca fomentar outras práticas sustentáveis, como a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, aplicação de plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o plantio de florestas e o tratamento de dejetos animais.

Resultados em Minas Gerais

Segundo os dados analisados, os municípios que mais acessaram os créditos do Programa ABC foram também os que concentraram maior redução de áreas degradadas. Nessas regiões, a média de cabeças de gado por produtor foi superior à dos municípios que não receberam os recursos. O levantamento também observou aumento de 13,4% nas pastagens saudáveis em Minas Gerais no período.

Importância do recorte regional

A escolha de Minas Gerais se deve ao peso do estado na agropecuária nacional: são mais de 500 mil propriedades rurais, o maior rebanho leiteiro do país e o segundo maior rebanho bovino, além de histórico de forte acesso ao crédito rural. Para o pesquisador Marcelo Odorizzi, autor do estudo, os resultados mostram que as políticas públicas podem ser mais eficazes se priorizarem áreas semidegradadas.

Próximos desafios

Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam a necessidade de aprimorar a base de dados dos programas, integrando informações com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e detalhando as práticas efetivamente aplicadas. Outra sugestão é direcionar mais recursos a regiões menos desenvolvidas, o que poderia gerar impactos sociais, ambientais e agronômicos relevantes.

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