Sem o Agro, participação de renováveis cairia pela metade no Brasil
O Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) elaborou o estudo ‘Dinâmicas de Demanda e Oferta de Energia pelo Agronegócio’, que reforça o papel estratégico do setor agropecuário tanto no consumo quanto na oferta de energia, especialmente de fontes renováveis.
A pesquisa mostra que o Agro brasileiro apresenta intensidade energética inferior à média global, o que o torna competitivo frente a outros grandes produtores. Porém, ainda há dependência significativa do diesel, o que expõe o setor a riscos econômicos e climáticos. Entre as soluções apontadas estão a substituição progressiva por biocombustíveis, a eletrificação de operações viáveis e políticas de eficiência energética.
No lado da oferta, o estudo revela que o Agro responde por cerca de 20% da matriz energética nacional, sendo responsável por aproximadamente 60% de toda a energia renovável produzida no país. A bioenergia gerada a partir de cana-de-açúcar, biomassa, óleos vegetais, madeira e resíduos agropecuários é considerada um pilar da matriz brasileira e, sem sua contribuição, a participação de renováveis cairia de 49,1% para apenas 20%
Segundo a FGV, a bioenergia ligada ao agronegócio vai além da geração elétrica ou de combustíveis líquidos: já é dominante em setores industriais como alimentos, bebidas, papel e celulose, cerâmica e metalurgia. Essa realidade evidencia a contribuição do agro para a segurança energética, a competitividade produtiva e a descarbonização da economia.
O relatório conclui que o Brasil ocupa posição estratégica dual: é ao mesmo tempo um grande consumidor, com espaço para ampliar eficiência e reduzir fósseis, e um fornecedor estruturante de energia renovável para o país e o mundo. Para consolidar esse protagonismo, serão necessários investimentos em inovação, políticas públicas convergentes e maior aproveitamento energético de resíduos agropecuários.
Confira o estudo na íntegra clicando no link abaixo.
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