Produção de banana ganha reforço
O Brasil é o único país das Américas preparado para enfrentar a murcha de Fusarium, conhecida como raça 4 tropical (R4T), considerada a doença mais grave da cultura em todo o mundo
Pesquisas da Embrapa, realizadas em parceria com a Colômbia, comprovaram que as cultivares BRS Princesa e BRS Platina são resistentes ao patógeno, abrindo caminho para seu uso como barreira natural contra a disseminação da doença, que causa prejuízos bilionários e restringe exportações.
O fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense, causador da murcha, se espalha pelo solo contaminado, mudas infectadas e ferramentas agrícolas. Embora a R4T ainda não tenha chegado ao Brasil, ela está presente em países vizinhos como Colômbia, Peru e Venezuela, tornando a vigilância constante uma prioridade para a bananicultura nacional.
As cultivares foram testadas na Colômbia, em áreas onde a R4T já estava presente, ao lado de bananeiras altamente suscetíveis do grupo Cavendish. Os testes incluíram quarentena inicial de oito meses, inoculação controlada em casa de vegetação e acompanhamento em campo, sob supervisão da Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia) e apoio da Associação de Bananicultores da Colômbia (Augura).

Após quatro ciclos de produção, menos de 1% das plantas BRS Princesa e BRS Platina foram afetadas, confirmando a resistência das cultivares. Além disso, diploides relacionados às variedades foram introduzidos em programas de melhoramento genético, com o objetivo de ampliar a resistência e possibilitar futuros lançamentos comerciais, mantendo produtividade, sabor e qualidade.
Segundo pesquisadores da Embrapa, a parceria internacional foi essencial para testar o material em condições reais de contaminação, acelerando o ciclo do melhoramento. Novos híbridos derivados do programa brasileiro devem ser lançados nos próximos anos, oferecendo aos produtores opções mais seguras e sustentáveis para enfrentar a ameaça global da murcha de Fusarium.
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