Criação integrada torna piscicultura amazônica mais produtiva e sustentável

Publicado em 16.12.25

Resumo da matéria

  • A pesquisa comparou ainda a piscicultura com outras atividades agrícolas, como pecuária bovina, suinocultura e avicultura, e mostrou que é possível produzir a mesma quantidade de proteína usando menos área
  • Os experimentos validam cientificamente as vantagens do modelo integrado e trazem respostas concretas para produtores que já adotam a prática no País
  • A curimba foi escolhida por não competir com o tambaqui em crescimento e rendimento; novos testes com outras espécies aquáticas, como camarão, estão no radar da Embrapa
  • Assim como no campo, a piscicultura integrada reduz impactos ambientais, aumenta a eficiência, e gera múltiplos produtos em uma lógica de economia circular
  • O estudo reforça que a piscicultura com espécies nativas ajuda a combater uma das principais críticas às atividades produtivas na região: a necessidade de expansão de terra e a sua associação com o desmatamento

Estudo da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) mostra que a criação integrada de tambaqui (Colossoma macropomum) com curimba (Prochilodus lineatus) é uma alternativa mais sustentável para a produção de proteína no bioma amazônico. O sistema é cerca de 25% mais produtivo do que o cultivo exclusivo de tambaqui e apresenta menor impacto ambiental.

Publicado na revista Aquaculture, o trabalho comparou a aquicultura multitrófica integrada (AMTI) ao monocultivo de tambaqui, com base na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). O modelo integra diferentes espécies no mesmo viveiro, favorecendo a reciclagem de nutrientes, aumentando a eficiência produtiva e reduzindo impactos ambientais.

Em comparação com outras atividades agropecuárias, a piscicultura demanda significativamente menos área para a produção de proteína. Para 1 kg de proteína, a pecuária bovina necessita de 434,88% mais terra, enquanto a avicultura demanda 48,84% a mais e a suinocultura, 72,09%. Segundo a pesquisadora da Embrapa Adriana Ferreira Lima, esses dados indicam o potencial da aquicultura para reduzir a pressão por abertura de novas áreas na Amazônia.

Por que a curimba?

A curimba é um peixe de fundo, menor que o tambaqui, comercializado entre 500 g e 1 kg, principalmente em mercados locais. A espécie foi escolhida por complementar o cultivo do tambaqui, consumindo sobras de ração e matéria orgânica do fundo dos viveiros, sem interferir no crescimento da espécie principal.

Além disso, a curimba já é utilizada por alguns produtores e hoje é a segunda espécie de peixe mais exportada pelo Brasil, o que reforça seu potencial econômico no sistema integrado.

A importância da pesquisa

A pesquisa trouxe dados inéditos sobre o cultivo integrado, prática ainda pouco adotada no Brasil por falta de informações técnicas. Os resultados mostram que a inclusão da curimba não prejudica o desempenho do tambaqui e não exige aumento no uso de ração.

Com a mesma quantidade de alimento, o sistema integrado gerou 25% mais proteína por hectare, além de manter manejo semelhante ao monocultivo, facilitando a adoção pelos produtores, especialmente os de pequeno porte.

Integração é melhor do que monocultivo

O cultivo integrado reduziu indicadores ambientais em comparação ao monocultivo de tambaqui. A emissão de CO₂ caiu de 4,27 kg para 3,9 kg por quilo de peixe, além de reduções no uso da terra, na demanda por água e energia e na eutrofização da água doce.

Segundo a Embrapa, os resultados reforçam a aquicultura multitrófica integrada como uma alternativa mais eficiente e sustentável para a produção de proteína animal na Amazônia.

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