Mercado de carbono avança lá fora e pressiona o Brasil
A terceira semana de 2026 foi marcada por sinais claros de fortalecimento dos mercados de carbono. Na União Europeia (UE), os preços alcançaram entre €89 e €92 por tonelada de CO₂, o maior patamar desde agosto de 2023.
A alta reflete uma combinação de fatores estruturais: oferta mais restrita, expectativa de redução nos leilões, regras mais rigorosas do Regime de Comércio de Emissões da UE (ETS), maior demanda sazonal no inverno, avanço do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) e aumento das posições compradas por fundos financeiros. O conjunto reforça a percepção de escassez estrutural e sustenta a tendência de valorização no mercado europeu.

Criado para acelerar a redução das emissões de gases de efeito estufa, o CBAM impõe uma sobretaxa às emissões incorporadas em produtos importados pela UE, ampliando a pressão por cadeias produtivas mais eficientes e com menor intensidade de carbono, tema cada vez mais estratégico para países exportadores.
No plano internacional, o Article 6 Implementation Status Report, divulgado pelo A6IP Center, mostra avanços consistentes na implementação do Artigo 6 do Acordo de Paris. O estudo avalia a prontidão de 100 países para operar em mercados internacionais de carbono, mapeando iniciativas em expansão, desafios persistentes e demandas por apoio técnico. O relatório reforça o papel da cooperação internacional como instrumento-chave para elevar a ambição climática e acelerar o cumprimento das metas globais.
Brasil
No Brasil, ganha destaque o debate sobre a certificação de carbono no mercado voluntário. Relatório publicado em 2025 pelo BNDES e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a partir da consolidação de consulta pública, aponta insatisfação com o modelo atual, fortemente dependente de certificadoras internacionais.
Entre os principais entraves estão os custos elevados, metodologias pouco adaptadas aos biomas brasileiros e barreiras à participação de projetos comunitários. O documento defende a criação de um arranjo nacional de governança, metodologias “tropicalizadas” e maior integração com o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), sinalizando a urgência de um sistema mais autônomo, inclusivo e alinhado aos padrões internacionais de alta integridade.
Riscos Climáticos e Oportunidades
Paralelamente, relatórios recentes do Fórum Econômico Mundial (WEF) e do Banco Mundial reforçam que os riscos climáticos já influenciam decisões econômicas e tendem a impactar o crescimento global na próxima década.
No campo das oportunidades, IPCC, GHG Protocol e SAE BRASIL 2026 abriram chamadas relevantes para participação técnica e científica, ampliando o espaço de contribuição do setor produtivo e da comunidade acadêmica no avanço das agendas climática e de descarbonização.
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