Inovação brasileira usa laser e IA para medir carbono do solo com rapidez e precisão

Publicado em 07.10.25

Resumo da matéria

  • Baseado na técnica LIBS, o método estima, em uma única análise, a densidade aparente e o teor de carbono do solo
  • É rápido, preciso, econômico e simplifica o cálculo do estoque de carbono no solo
  • Técnica substitui métodos tradicionais que são demorados e mais caros, como o anel volumétrico
  • É compatível com análises em larga escala, com aplicações em agricultura de precisão e monitoramento ambiental
  • Viabiliza inventários de carbono do solo com maior resolução e análises mais frequentes
  • Contribui, portanto, para estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas
Pesquisa desenvolve método que usa laser e inteligência artificial para estimar, em uma única análise, a densidade do solo e o teor de carbono. Na foto acima, coleta de amostras deformadas

Em um momento em que o enfrentamento às mudanças climáticas ganha força nas agendas globais, uma inovação da Embrapa Instrumentação (SP) promete revolucionar a medição do carbono estocado nos solos

O novo método, que utiliza laser e inteligência artificial, permite estimar simultaneamente a densidade aparente do solo e o teor de carbono, simplificando processos, reduzindo custos e acelerando iniciativas ligadas aos mercados de crédito de carbono.

Laser e aprendizado de máquina no campo

A técnica combina fotônica e aprendizado de máquina para gerar análises rápidas e precisas, adequadas a aplicações em larga escala, como agricultura de precisão e monitoramento ambiental. Baseado na espectroscopia de emissão por plasma induzido por laser (LIBS), o método substitui medições separadas de densidade e carbono por uma única análise integrada.

De acordo com o pesquisador Paulino Ribeiro Villas-Boas, em coautoria com Ladislau Martin Neto e Débora Milori, o modelo foi calibrado com 880 amostras de solos brasileiros — abrangendo Cerrado e Mata Atlântica — e já tem pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), além de estar em processo de licenciamento com o setor privado.

Eficiência, rapidez e menor custo

O método dispensa etapas demoradas de coleta e preparo, como ocorre no tradicional anel volumétrico, permitindo o uso de amostras deformadas — mais simples e baratas de obter. Isso torna o processo mais ágil e acessível para laboratórios, produtores e certificadoras.

Segundo Villas-Boas, “o método desenvolvido estima não apenas a densidade aparente, mas também o teor de carbono, possibilitando calcular o estoque de carbono em uma única análise feita por LIBS”.

Como funciona o LIBS

A técnica LIBS utiliza um pulso de laser de alta energia para gerar um microplasma na amostra, cuja emissão de luz funciona como uma “impressão digital” do material. Cada elemento químico — como carbono, ferro, cálcio ou silício — emite luz em comprimentos de onda específicos, o que permite identificar a composição do solo com precisão.

Além disso, o método requer tratamento mínimo das amostras, bastando remover partículas maiores e realizar secagem e homogeneização. Essa simplicidade amplia o potencial de uso em campo, inclusive em projetos de monitoramento contínuo de carbono no solo.

Avanço sobre métodos tradicionais

Nos procedimentos convencionais, é necessário abrir trincheiras profundas, usar equipamentos pesados e manipular cuidadosamente as amostras para evitar erros. Com o novo método, amostradores automáticos podem coletar o solo com rapidez e menor impacto, reduzindo custos operacionais e tempo de análise.

Retroescavadeira usada para abrir trincheiras profundas

Solo saudável, clima equilibrado

A densidade do solo é um indicador essencial de estrutura, compactação e qualidade ambiental, e influencia diretamente os cálculos de estoque de carbono e nutrientes. Com a nova abordagem, será possível realizar estimativas mais frequentes e confiáveis, contribuindo para práticas agrícolas sustentáveis e mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Próximos passos e perspectivas

Os pesquisadores afirmam que o LIBS ainda tem amplo potencial de aprimoramento, especialmente com a integração a outras tecnologias de sensoriamento. Estudos futuros devem explorar a fusão de sensores e modelagem avançada para consolidar um sistema robusto de monitoramento de carbono do solo em tempo real.

O estudo, intitulado “LIBS for Rapid Soil Bulk Density and Carbon Stock Estimations: Toward Scalable Soil Carbon Monitoring”, contou com apoio do CNPq e da Fapesp, e foi na Revista Europeia de Ciência do Solo (European Journal of Soil Science).

Opinião

ver mais

Eventos

ver mais
23.04
1ª Reunião Canaplan
27.04
Agrishow 2026
29.04
SIAL CANADÁ
13.05
19ª CITI ISO DATAGRO NY Sugar & Ethanol Conference