História de superação no campo transforma ex-cortadora de cana em inspiração
“Não importa de onde você vem nem o tamanho do seu sonho. Quando você acredita, trabalha e não desiste, o reconhecimento vem.”

É assim que Tereza Vieira Pereira, conhecida como Terezinha, resume a própria trajetória marcada por desafios sociais, econômicos e emocionais no interior do Paraná.
Nascida em Moreira Sales, filha de colhedores de café, Tereza cresceu enfrentando o racismo desde a infância. A falta de referências e de autoaceitação fez com que, ainda criança, tentasse apagar a própria identidade. Com o tempo, a dor deu lugar à consciência e, mais tarde, ao orgulho de sua ancestralidade.
Do sonho da sala de aula à dura rotina no canavial
Apesar do desejo de ser professora, aos 14 anos Tereza precisou abandonar os estudos para trabalhar no corte de cana-de-açúcar e sustentar a família. Foram 22 anos de trabalho pesado, com impactos severos à saúde, até que, em 2005, uma lesão na coluna a afastou definitivamente da atividade rural.
A saída forçada do campo trouxe novas dificuldades, mas também abriu caminho para uma reinvenção profissional. Já fora da lavoura, Tereza passou a atuar como costureira, enquanto lidava com um relacionamento abusivo que, por anos, limitou sua autonomia e autoestima.
A virada pela educação e pelo autoconhecimento
A ruptura definitiva veio em 2021, com a separação, e ganhou força em 2023, quando Tereza participou do Programa Mulher Atual, iniciativa do Sistema FAEP voltada ao fortalecimento da liderança feminina no meio rural e urbano.
Segundo a própria Tereza, o curso foi determinante para consolidar uma mudança que já estava em curso. Ao longo da formação, ela desenvolveu habilidades de gestão, comunicação e autoconfiança. “Aprendi que eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Eu me basto”, afirma.
Da timidez ao alcance nacional
Antes discreta, hoje Tereza se tornou uma comunicadora ativa. Seu canal no YouTube, “Artes com Terezinha”, criado de forma simples, ganhou novo impulso após o curso e se transformou em uma plataforma de troca, aprendizado e inspiração, reunindo quase 100 mil seguidores.
No ateliê, onde realiza ajustes e consertos de roupas, ela também construiu um espaço de escuta e acolhimento. “Cada mulher que entra aqui traz uma história. Não sou só costureira. Sou protagonista da minha própria trajetória e ajudo outras mulheres a serem da delas”, resume.
Reconhecimento que vira legado
A história de superação de Tereza agora também ganha registro em papel. Sua trajetória será tema de um dos capítulos de um livro que reúne histórias de transformação ligadas ao agro brasileiro, com lançamento previsto para dezembro.
Hoje, ao assumir os cabelos crespos e grisalhos como símbolo de identidade e força, Tereza reforça a mensagem que norteia sua caminhada: a de que educação, autoconhecimento e oportunidade podem mudar destinos. Dentro e fora do campo.
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