Startups do agro avançam pelo país e indicam maior maturidade do setor

O ecossistema de inovação no agronegócio brasileiro segue em expansão, mas com sinais claros de amadurecimento. É o que mostra a edição do Radar Agtech Brasil 2025, levantamento realizado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, que analisa o cenário de startups, ambientes de inovação e investidores no setor.
O estudo identificou 2.075 agtechs no país em 2025, crescimento de 5% em relação ao ano anterior. Embora positivo, o ritmo é menor que o observado nos primeiros anos da série, indicando uma fase de consolidação do mercado.
Expansão geográfica da inovação
Um dos principais movimentos apontados pelo levantamento é a desconcentração regional das startups do agro. Apesar de Sudeste e Sul ainda concentrarem 79% das agtechs, cresce a presença em outras regiões estratégicas para a produção.
Hoje, o Norte reúne 7,6% das startups, o Nordeste 6,5% e o Centro-Oeste 7,1%, mostrando avanço gradual da inovação para áreas diretamente ligadas à produção agropecuária.
Essa interiorização aproxima as soluções tecnológicas do campo e reforça a conexão entre inovação e operação agrícola.
Ambientes de inovação ganham novo desenho
O levantamento também mostra mudanças na distribuição dos ambientes de inovação. A Região Sul passou a liderar nesse indicador, concentrando 37,18% dos ambientes mapeados, superando o Sudeste, com 32,82%.
O destaque é o Rio Grande do Sul, que ampliou significativamente o número de incubadoras, especialmente vinculadas a universidades. Esse movimento indica fortalecimento das etapas iniciais da inovação.
Já o Sudeste mantém maior presença de hubs e aceleradoras, refletindo um estágio mais avançado de desenvolvimento dos negócios.
Maturidade do ecossistema
A desaceleração no ritmo de crescimento é interpretada como um sinal positivo. Após um período de expansão acelerada entre 2019 e 2021, o setor passa por uma seleção natural, com maior permanência de empresas estruturadas e modelos mais consistentes.
Outro indicador dessa maturidade é o aumento das agtechs que atuam diretamente dentro das fazendas, evidenciando maior capacidade de acesso ao produtor e aplicação prática das soluções.
Tecnologia como base do modelo de negócio
As startups do agro estão concentradas principalmente nas etapas “dentro da fazenda” (41,1%) e “depois da fazenda” (40,5%), com destaque para soluções ligadas a alimentos inovadores, gestão da propriedade e integração de dados.
A tecnologia digital, especialmente a inteligência artificial, já é parte estrutural do setor: 83% das agtechs utilizam IA, e 35% têm essa tecnologia como núcleo do negócio.
Inovação cada vez mais integrada ao agro
Os dados reforçam uma tendência de longo prazo: a inovação no agro brasileiro segue avançando de forma mais distribuída, conectada ao campo e integrada à cadeia produtiva.
Mais do que crescimento em volume, o cenário atual aponta para um ecossistema mais sólido, com maior aderência às demandas do produtor e papel crescente na transformação da produção agropecuária no país.
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