Estudo mapeia pegada de carbono do soro de leite no Brasil

Um estudo desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite, em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a Sooro Renner Nutrição, trouxe uma nova perspectiva sobre os impactos ambientais da cadeia do soro de leite no Brasil.
A pesquisa mapeou a pegada de carbono do soro e de seus derivados ao longo de diferentes etapas produtivas, desde a produção do leite nas fazendas até o processamento industrial e a transformação em ingredientes utilizados pela indústria alimentícia.
Do resíduo ao ingrediente estratégico
Historicamente tratado como um subproduto da indústria láctea, o soro do leite ganhou relevância econômica nos últimos anos e hoje é utilizado em uma ampla variedade de produtos, especialmente na nutrição esportiva, panificação e alimentos industrializados.
Com isso, cresce também a necessidade de compreender os impactos ambientais associados à sua produção e processamento.
Avaliação além da porteira
O estudo utilizou a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), ferramenta que mede impactos ambientais de produtos e serviços de forma integrada.
A principal inovação do projeto foi ampliar a análise para além da produção primária, conectando diferentes etapas da cadeia em uma única avaliação.
Além da produção do leite, o levantamento considerou transporte, processamento industrial e transformação do soro em pó, oferecendo um retrato mais completo do desempenho ambiental do setor.
Identificação de gargalos
A abordagem sistêmica permitiu identificar pontos críticos de emissão de gases de efeito estufa e compreender melhor como diferentes etapas da cadeia influenciam o impacto ambiental final do produto.
Segundo os pesquisadores, esse tipo de diagnóstico é importante para orientar estratégias de eficiência produtiva e sustentabilidade dentro da cadeia láctea.
Dados abertos para o setor
Outro destaque da iniciativa é a disponibilização pública dos dados obtidos. Os inventários ambientais produzidos pelo estudo foram incorporados à plataforma SICV Brasil, gerida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).
Com acesso livre, as informações poderão ser utilizadas por pesquisadores, empresas e instituições em novos estudos e projetos ligados à sustentabilidade e avaliação ambiental.
Transparência e competitividade
O estudo reforça uma tendência crescente no agro: a necessidade de ampliar transparência e rastreabilidade ambiental nas cadeias produtivas.
Em um mercado cada vez mais atento a indicadores de sustentabilidade, ferramentas capazes de medir impactos com maior precisão podem contribuir para fortalecer a competitividade do setor brasileiro, além de apoiar decisões técnicas, industriais e estratégicas.
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