Crédito rural precisa ir além de financiar a produção e apoiar transformação da pecuária

A pecuária brasileira dispõe de conhecimento, tecnologias e práticas capazes de ampliar a eficiência produtiva e contribuir para uma produção cada vez mais sustentável, resiliente e rentável. No entanto, para que essas soluções ganhem escala nas propriedades, também é necessário avançar nas condições econômicas e estruturais que permitam sua adoção pelos produtores.
Ampliar e facilitar o acesso a instrumentos financeiros é parte fundamental desse processo, mas apenas a disponibilidade de recursos não garante a transformação: assistência técnica, informação, segurança jurídica e prazos compatíveis com o retorno dos investimentos também são necessários, considerando as diferentes realidades dos produtores.
“Financiar a pecuária não significa, necessariamente, financiar sua transformação. Precisamos criar condições para que os recursos também apoiem mudanças estruturais nas propriedades, considerando as diferentes realidades e os desafios enfrentados pelos produtores”, afirma Michelle Borges, gerente executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável
Esse avanço passa por diferentes frentes, como recuperação de pastagens, reinserção de produtores, intensificação sustentável, rastreabilidade e adoção de tecnologias e práticas de baixa emissão. Para apoiá-las, é preciso olhar além das linhas tradicionais de crédito rural e considerar diferentes instrumentos financeiros e mecanismos de incentivo, adequados às necessidades de cada realidade produtiva.
O estudo “Incentivos à rastreabilidade na pecuária do Pará”, produzido pela equipe técnica da Agroicone com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), ajuda a dimensionar o espaço para avançar nessa agenda. Na safra 2023/24, dos R$ 113 bilhões destinados à pecuária pelo Plano Safra, até R$ 7,6 bilhões, ou 6,72%, foram direcionados a empreendimentos em jornada de sustentabilidade.
Além de viabilizar a adoção das práticas, a evolução precisa gerar valor para quem produz. Ganhos de eficiência, produtividade e rentabilidade podem vir das próprias práticas adotadas, enquanto mecanismos financeiros e de mercado podem incentivar avanços e reconhecer resultados ambientais e produtivos.
Dar escala a essa transformação exige atuação coordenada entre os diferentes elos da cadeia da pecuária e demais atores que contribuem para o desenvolvimento sustentável do setor. A integração entre financiamento, conhecimento, assistência técnica e mercado é fundamental para que esse avanço seja economicamente viável e sustentável.
Agro
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