Resíduo do etanol de milho vira matéria-prima para produção de asfalto

Um resíduo gerado pela indústria de etanol de milho ganhou uma nova aplicação na produção de asfalto. Desde 2025, a Petrobras produz cimento asfáltico de petróleo (CAP) com conteúdo renovável e, neste ano, passou a utilizar o óleo técnico de milho (TCO) como diluente na refinaria de São José dos Campos (SP), a Revap, substituindo derivados minerais de origem fóssil.
O TCO é obtido durante o processamento e a fermentação do milho nas usinas produtoras de etanol. Diferentemente do óleo de milho destinado à alimentação, o produto apresenta elevado nível de acidez, característica que possibilita sua utilização como diluente na fabricação do asfalto.
Os diluentes têm a função de reduzir a viscosidade do cimento asfáltico e aumentar sua capacidade de penetração nas superfícies. Com a incorporação do TCO, parte dessa função passa a ser desempenhada por uma matéria-prima renovável proveniente da agroindústria.
Petrobras já produziu 95 mil toneladas de CAP renovável.
Até o momento, a Petrobras produziu 95 mil toneladas de cimento asfáltico com conteúdo renovável, volume que, segundo a companhia, seria suficiente para pavimentar uma distância equivalente a uma viagem de ida e volta entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Apesar do avanço, a participação das matérias-primas renováveis na produção de asfalto da companhia ainda é pequena. Atualmente, esses insumos correspondem a aproximadamente 1% a 2% das matérias-primas utilizadas.
A escolha do TCO levou em consideração, entre outros fatores, a possibilidade de contar com uma oferta elevada e constante do produto. A disponibilidade desse coproduto vem aumentando acompanhando a expansão da indústria brasileira de etanol de milho.
Expansão do etanol amplia oferta de TCO
O crescimento das usinas de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste, tem impulsionado a disponibilidade do óleo técnico no mercado. Segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a capacidade industrial de produção de etanol a partir do cereal no Brasil cresceu 7.121% em dez anos.
Em média, cada tonelada de milho processada gera cerca de 18 quilos de TCO. O aumento da produção tem contribuído para tornar o insumo competitivo em relação a outras alternativas renováveis, como o óleo de soja. Atualmente, uma tonelada do produto é comercializada por cerca de R$ 6,5 mil.
Para garantir o fornecimento da matéria-prima, a Petrobras formalizou contrato de compra com a Inpasa, maior produtora de etanol de milho do País. A empresa possui capacidade para produzir atualmente 340 mil toneladas de TCO e prevê chegar a 450 mil toneladas até 2027, com a construção de duas novas usinas e a expansão de uma terceira.
Coproduto amplia integração entre agro e indústria
A utilização do óleo técnico na pavimentação cria uma nova destinação para um coproduto da cadeia do etanol de milho e amplia as possibilidades de aproveitamento industrial da matéria-prima agrícola.
Além da produção de cimento asfáltico, o TCO já é utilizado por algumas indústrias como insumo para a fabricação de biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF).
A aplicação no asfalto se soma, assim, a outros mercados que vêm absorvendo coprodutos gerados pela expansão da indústria de etanol de milho, ampliando o aproveitamento do cereal e a integração da cadeia agroindustrial com diferentes segmentos da economia.
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