Novo selo estabelece padrão mais rigoroso de qualidade para o biodiesel

A indústria brasileira de biodiesel passa a contar com uma nova certificação voluntária de qualidade. Lançado pela AliançaBiodiesel, formada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), o selo Super Bio+ estabelece critérios adicionais aos exigidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O programa prevê limites mais restritivos para contaminantes como sódio, potássio, cálcio, magnésio e fósforo, além de avaliar aspectos relacionados à gestão, aos processos produtivos, às boas práticas industriais e à sustentabilidade.
Análises e auditorias independentes
Para receber a certificação, o biodiesel será submetido a análises laboratoriais, enquanto as unidades industriais passarão por auditorias independentes realizadas pelo Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). O selo terá validade de dois anos, com auditorias anuais para manutenção.
A iniciativa unifica os selos Bio+, da Abiove, e Super A, da Aprobio, ambos lançados em 2020. Segundo as entidades, o objetivo é consolidar um padrão de qualidade mais exigente e complementar ao Programa de Monitoramento de Qualidade dos Biocombustíveis (PMQBio), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que verifica a conformidade dos produtos comercializados no país.
Setor busca ampliar adesão
A certificação será lançada com 11 empresas autenticadas e outras em processo de adequação. A primeira a obter o selo foi a ADM. Também integram a relação apresentada pelas entidades empresas como Amaggi, Bunge, Cargill, Cofco International e Olfar. A meta é alcançar 100% das indústrias do setor.
O selo valoriza boas práticas, inovação e rastreabilidade dos processos produtivos. As entidades também pretendem avançar na governança da certificação, com a criação de um comitê que poderá reunir representantes do Ministério de Minas e Energia e de outros elos da cadeia.
Qualidade também pode impulsionar o B100
A iniciativa ocorre no momento em que o setor busca ampliar as possibilidades de utilização do biodiesel. Atualmente, quase todo o consumo brasileiro ocorre na forma de mistura ao diesel. O uso do biodiesel puro, conhecido como B100, ainda é restrito, mas já conta com experiências no transporte de cargas.
Um dos exemplos citados pela Abiove é o da Amaggi, que mantém uma frota de quase mil caminhões operando continuamente com B100.
Para Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da entidade, a certificação pode contribuir para diferenciar o produto e atender a consumidores interessados em padrões ainda mais rigorosos de qualidade.
Ao estabelecer critérios adicionais e verificação independente, o Super Bio+ busca fortalecer a confiança no biodiesel brasileiro e valorizar os padrões de qualidade da indústria nacional.
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