Cana e laranja ganham novas regiões de concentração da produção
Resumo da matéria
- Estudo sobre a concentração espacial da produção agropecuária revela uma reconfiguração das principais regiões produtoras do País desde os anos 2000
- A cana-de-açúcar é uma das culturas que cresceu e alcançou quatro novas microrregiões, incluindo municípios paulistas, goianos e mineiros
- Já a produção de laranja, apesar de continuar mais forte em São Paulo, migrou dentro do estado, especialmente em decorrência do greening, pior doença dos citros
- Soja e milho também mostraram crescimento, mas de formas diferentes. Enquanto a primeira se propaga pelo País — principalmente em áreas de pastagens degradadas —, o cereal permanece concentrado em regiões já tradicionais
- Os dados gerados pela Inteligência territorial permitem antever cenários que apoiam o planejamento de obras de infraestrutura, políticas públicas e decisões estratégicas no campo
A produção agropecuária brasileira vem passando por uma reconfiguração silenciosa, mas profunda. Levantamento da Embrapa Territorial, com base na plataforma de dados SITE-MLog, mostra que desde os anos 2000 o mapa da produção nacional se redesenhou: regiões tradicionais perderam espaço, enquanto novas áreas despontaram com força — especialmente nas cadeias da cana-de-açúcar, laranja, soja, milho e algodão.
Novas fronteiras da cana
A cana-de-açúcar é um dos exemplos mais marcantes dessa transformação. Em 2000, as microrregiões do centro paulista concentravam a produção; hoje, a cultura se expandiu para Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, dobrando o volume produzido e incorporando novas fronteiras agrícolas.

Laranja se reorganiza
A laranja manteve-se concentrada em São Paulo, mas o mapa das regiões líderes mudou. Avaré, Bauru e Botucatu ganharam protagonismo, enquanto áreas tradicionais, afetadas pelo greening, perderam espaço. O aumento de produtividade garantiu estabilidade nas colheitas e sustentou a produção nacional.

Soja se espalha, milho se concentra
A soja segue ampliando sua presença em todo o país, com expansão expressiva no Matopiba, norte do Mato Grosso, Pará e sul do Rio Grande do Sul.

Já o milho trilhou o caminho oposto: mesmo com aumento expressivo na produção, a cultura se concentrou ainda mais no Centro-Oeste, impulsionada pelo avanço da segunda safra.

Algodão domina o Centro-Oeste
Entre todas as cadeias, o algodão é hoje a mais concentrada. Em 2023, a região de Parecis (MT) respondeu sozinha por 25% da produção nacional — reflexo da alta especialização e da competitividade do polo mato-grossense.

Impactos e oportunidades
Essas mudanças espaciais alteram a dinâmica da infraestrutura, logística, crédito e serviços, exigindo coordenação entre os elos da cadeia produtiva para evitar gargalos e garantir competitividade.
Segundo a Embrapa Territorial, os conceitos de Inteligência Territorial Estratégica (ITE) ajudam a antecipar cenários e orientar investimentos e políticas públicas que assegurem o crescimento sustentável do agro brasileiro.
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