Robô usa luz para diagnóstico precoce de doença em algodão e soja
Resumo da matéria
- Robô ilumina e fotografa ao mesmo tempo as folhas das plantas de algodão e soja em 7 segundos
- LumiBot une robótica, fotônica e inteligência artificial para identificar a presença de nematoides
- Diagnóstico precoce e mapeamento da infestação permitem a aplicação de defensivos químicos somente nas regiões infestadas, gerando economia e mais sustentabilidade
- Imagens são capturadas com câmera científica RGB, que reproduz cores com alta precisão, fidelidade e consistência
- Robô usa a técnica de imagem de fluorescência para avaliar mudanças metabólicas das plantas causadas por estresses bióticos e abióticos
- Perda anual estimada por ataque de nematoides é superior a R$ 4 bilhões na cultura do algodoeiro e mais de R$ 27 bilhões na soja
Um sistema robótico autônomo, que opera à noite, está revolucionando o diagnóstico de doenças em lavouras de algodão e soja. Batizado de LumiBot, o equipamento emite luz ultravioleta-visível sobre as plantas e analisa a fluorescência das folhas com câmeras científicas.

Desenvolvido pela Embrapa Instrumentação (SP) em parceria com a Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro), de Mato Grosso, o robô é capaz de gerar dados que permitem a construção de modelos para detectar nematoides antes mesmo do surgimento dos sintomas visuais.
Culturas estratégicas e desafios sanitários
Com previsão de recorde de safra em 2025/26 — 4,09 milhões de toneladas de pluma e 177,67 milhões de toneladas de soja, segundo a Conab —, a cotonicultura e a sojicultura têm grande relevância econômica. Essas culturas, porém, enfrentam a ameaça dos nematoides, parasitas microscópicos que comprometem o desenvolvimento das plantas e causam perdas expressivas na produtividade.
Taxas de acerto acima de 80%
O LumiBot ainda é um protótipo, mas já apresenta resultados promissores. Em experimentos realizados em casa de vegetação, foram coletadas cerca de 7 mil imagens ao longo de três anos, com taxas de acerto superiores a 80% no diagnóstico da infecção por nematoides.
“Conseguimos gerar dados e modelos com alta precisão e até diferenciar doenças de estresse hídrico”, explica Débora Milori, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do estudo no Laboratório Nacional de Agrofotônica (Lanaf)
A próxima etapa será o desenvolvimento de um modelo de campo, com a adaptação do sistema óptico em veículos agrícolas, como pulverizadores ou rovers.
Menos químicos e mais eficiência
Hoje, o controle convencional de nematoides é baseado no uso de nematicidas aplicados no solo ou nas sementes — soluções caras, de eficácia variável e potencial impacto ambiental.
Segundo Milori, uma abordagem mais eficiente seria o monitoramento direcionado, aplicando estratégias de controle apenas em áreas realmente infestadas.
“As técnicas fotônicas surgem como uma solução promissora, capaz de detectar precocemente a presença da doença e otimizar o manejo”, ressalta a pesquisadora.
Para o consultor da Comdeagro, Sérgio Dutra, o diagnóstico precoce é essencial para o avanço da agricultura de precisão no país.
“O uso do LumiBot reduz o uso excessivo de defensivos, melhora a qualidade da fibra e aumenta a rentabilidade do produtor”, afirma.
Prova de conceito e inovação fotônica
O LumiBot conta com o suporte da Embrapii Itech-Agro, unidade da Embrapa Instrumentação voltada à integração de tecnologias habilitadoras no agronegócio. O projeto desenvolveu uma prova de conceito com base em técnicas fotônicas, com o objetivo de reduzir custos e impulsionar a cadeia da soja e do algodão.
O sistema físico e de automação foi desenhado em parceria com a empresa Equitron Automação, de São Carlos (SP), para operar em ambientes controlados.
A fotônica, área da física que estuda a geração, manipulação e detecção da luz, tem se mostrado um caminho promissor para o diagnóstico agrícola, unindo sensibilidade, precisão e potencial de portabilidade.
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