Embrapa avança em bioinsumo capaz de recuperar solos degradados

Publicado em 18.11.25

A Embrapa Agrobiologia (RJ) está finalizando o desenvolvimento de um novo bioinsumo capaz de atender mais de 30 espécies florestais leguminosas, um avanço que pode ampliar o uso de tecnologias de recuperação de solos degradados no Brasil e fortalecer o mercado nacional de bioinsumos.

O inoculante foi desenvolvido a partir da seleção de duas estirpes de rizóbio entre mais de 800 estudadas pela Embrapa. Elas demonstraram alta eficiência simbiótica com 31 espécies nativas e comerciais, superando um dos principais desafios da técnica: a necessidade de compatibilidade específica entre cada espécie vegetal e suas bactérias associadas.

Segundo o pesquisador Sérgio Faria, isso abre espaço para um inoculante multiespécies, que reduz custos, simplifica a logística e atende simultaneamente diferentes plantas usadas em programas de restauração florestal.

Tecnologia que nasce de 30 anos de pesquisa

As primeiras experiências com microrganismos em áreas severamente degradadas, como regiões mineradas, começaram nos anos 1990. De menos de dez espécies testadas na época, a Embrapa acumulou hoje dados sobre centenas de leguminosas com potencial de uso em todos os biomas.

A base do processo está na simbiose natural entre plantas e microrganismos. Os rizóbios fixam nitrogênio atmosférico nas raízes; fungos micorrízicos ampliam a absorção de água e nutrientes; e a combinação acelera o crescimento vegetal mesmo em solos pobres. Ao longo do tempo, aumenta a matéria orgânica, melhora a estrutura do solo e reativa ciclos ecológicos essenciais.

Resultados já comprovados

A tecnologia vem sendo aplicada com sucesso em diferentes cenários: áreas de mineração na Amazônia e em Minas Gerais, jazidas no Nordeste, encostas e voçorocas no Sudeste, além de projetos de restauração no Cerrado e na Caatinga.

Os resultados aparecem rapidamente: em cerca de 12 meses, há cobertura vegetal e estabilização do solo; entre quatro e cinco anos, forma-se uma “floresta jovem”; e após uma década, a biodiversidade retorna, com até 70 novas espécies vegetais colonizando espontaneamente as áreas na Amazônia.

Contribuição para metas ambientais

Além dos ganhos agronômicos, o bioinsumo reduz a necessidade de adubação nitrogenada mineral, evitando perdas para o ambiente e diminuindo custos em viveiros e áreas em restauração. O processo também está alinhado às metas brasileiras de recomposição da vegetação nativa, ao Código Florestal, ao Planaveg e aos compromissos do Acordo de Paris.

Com a COP30 e o tema da restauração no centro das discussões globais, os pesquisadores destacam que o Brasil tem oportunidade de apresentar soluções baseadas em ciência e natureza, e os novos inoculantes florestais são uma delas.

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