Irrigação estratégica do trigo no Cerrado reduz emissões pela metade

Publicado em 04.12.25
Com a reposição da água após o uso de 40% da capacidade da água disponível (CAD) do solo, o trigo alcançou a maior produtividade

Um estudo da Embrapa Cerrados (DF) identificou que o manejo estratégico da irrigação do trigo pode reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa (GEEs), mantendo a produtividade em níveis elevados. A descoberta oferece novas diretrizes para a produção do cereal em ambientes tropicais, especialmente diante das mudanças climáticas.

Quando irrigar faz toda a diferença

Os pesquisadores compararam quatro níveis de esgotamento da água no solo: 20%, 40%, 60% e 80%, antes de realizar nova irrigação. O objetivo era encontrar o ponto de equilíbrio entre produtividade, economia de água e impacto ambiental.

A conclusão foi clara: o melhor desempenho ocorre quando o trigo é irrigado após o uso de 40% da água disponível no solo. Nesse nível de manejo, o solo mantém umidade suficiente para favorecer o desenvolvimento das plantas, sem estimular a emissão excessiva de GEEs.

Resultados em produtividade e emissões

Com a reposição da água no ponto de 40% da capacidade de água disponível (CAD), o trigo alcançou produtividade média de 6,8 t/ha, além do menor índice de emissão de óxido nitroso (N₂O) — cerca de 3,0 kg/ha, um gás quase 300 vezes mais potente que o CO₂ no efeito estufa.

Já quando a irrigação foi realizada somente após 60% de esgotamento da umidade, houve pico de emissões de N₂O e maior Potencial de Aquecimento Global (PAG), com 1.185,8 kg de CO₂ equivalente. Nesse cenário, as emissões foram 41% superiores às do manejo de 40%, mesmo com produtividade inferior (5,69 t/ha).

Ajuste simples, grande impacto

Segundo a pesquisadora Alexsandra Oliveira, da Embrapa Cerrados, pequenas mudanças no momento da irrigação podem transformar o impacto ambiental da atividade. “Manter a umidade intermediária do solo, em torno de 40%, representou o melhor equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade. É uma estratégia climaticamente inteligente para sistemas tropicais”, afirma.

O estudo também revela que ciclos extremos de secagem e reumidificação do solo favorecem a emissão de GEEs. Quando o solo seca demais e volta a ser irrigado, os microrganismos responsáveis pela emissão de gases são estimulados, elevando o impacto ambiental.

Ciência orientando o campo

Os resultados foram publicados no artigo ‘sustainable irrigation management of winter wheat and effects on soil gas emissions (N₂O and CH₄) and enzymatic activity in the Brazilian savannah, da revista Sustainability MDPI. A pesquisa reforça o papel do manejo hídrico como ferramenta essencial para a agricultura tropical, alinhando produtividade, uso racional da água e redução das emissões.

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