Desperdício de frutas expõe desafios do campo ao consumidor
O desperdício de alimentos representa um desafio para a segurança alimentar e a sustentabilidade, especialmente no caso de frutas, legumes e verduras, produtos perecíveis que exigem cuidados desde a colheita até o consumo. No Brasil, as perdas ocorrem em diferentes etapas da cadeia, envolvendo produção agrícola, armazenamento, transporte, processamento, comércio e residências.
Estimativas da plataforma Pacto Contra a Fome indicam que o País perde ou desperdiça aproximadamente 55,4 milhões de toneladas de alimentos por ano. Desse total, 17,3 milhões de toneladas correspondem à produção agrícola, enquanto 10,8 milhões se perdem nas etapas de pós-colheita, armazenamento e transporte. O processamento e a distribuição respondem por outros 11,9 milhões de toneladas.
No varejo e nos serviços de alimentação, são descartadas 7,9 milhões de toneladas, enquanto o desperdício nas residências chega a 7,5 milhões de toneladas anuais.
Perdas também significam desperdício de recursos
No caso das frutas, o descarte representa não apenas a perda de alimentos ricos em nutrientes, mas também o desperdício de água, solo e energia utilizados na produção. Reduzir essas perdas exige ações coordenadas entre produtores, indústria, distribuidores, comerciantes e consumidores.
Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), avanços tecnológicos e melhorias na logística têm contribuído para reduzir perdas no campo e durante o transporte. O presidente da entidade, Waldyr Promicia, ressalta, porém, que o envolvimento dos consumidores também é essencial.
Entre as medidas estão o planejamento das compras, o armazenamento adequado e a valorização de frutas que não apresentam o padrão estético tradicional, mas mantêm suas características de sabor e valor nutricional.
Tecnologia e aproveitamento ampliam soluções
Na cadeia frutícola, iniciativas para reduzir o desperdício incluem o uso de embalagens que ajudam a prolongar a vida útil dos produtos, o controle da temperatura durante o transporte e a modernização dos equipamentos de colheita e pós-colheita.
Outra frente é o aproveitamento de frutas fora dos padrões comerciais para a fabricação de polpas, sucos, doces e óleos essenciais. Resíduos do manejo também podem ser transformados em compostagem orgânica e bioinsumos, contribuindo para o aproveitamento de materiais que seriam descartados.
A Aliança Fresh Brasil, formada pela Abrafrutas, pelo Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort) e pelo Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), prepara um estudo sobre o consumo de frutas, legumes e verduras no País. O levantamento deverá contribuir para compreender os hábitos dos consumidores e orientar estratégias para ampliar o consumo e reduzir o desperdício.
A redução das perdas depende, portanto, de melhorias em toda a cadeia: da eficiência da produção e da infraestrutura logística ao aproveitamento integral dos alimentos e às escolhas feitas no momento da compra e do consumo.
Negócios
ver mais
