Agro é peça-chave na descarbonização do Brasil até 2050
Agronegócio é peça-chave na descarbonização do Brasil até 2050, aponta estudo do CEBDS

Com a COP30 se aproximando e a nova meta climática brasileira (NDC) em debate, o agronegócio desponta como protagonista na agenda de descarbonização do país.
Um estudo liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com participação de empresas como Tereos, Bayer, Syngenta, Nestlé, Amaggi e Citrosuco, mostra que o setor tem papel decisivo para o Brasil alcançar o net zero até 2050.
Setor responde por 30% das emissões líquidas do país
Atualmente, o agronegócio é responsável por cerca de 30% das emissões líquidas de CO₂e do Brasil, o equivalente a 480 MtCO₂e, sendo que 94% desse total vêm da pecuária.
O desafio tende a crescer nas próximas décadas: segundo o relatório, se o setor mantiver o ritmo atual (cenário inercial), as emissões podem chegar a 650 MtCO₂e até 2050 — um aumento de 37% em relação a 2023. Em um cenário de inação, o número pode ultrapassar 790 MtCO₂e, um salto de 66%.
Coalizão mobiliza mais de 40 entidades do setor
Diante dessa perspectiva, o CEBDS e suas empresas co-líderes mobilizaram uma coalizão com mais de 40 entidades da cadeia do agronegócio — incluindo associações, cooperativas, confederações, fabricantes de insumos e tecnologia, traders, produtores, indústrias, bancos e institutos de pesquisa.
O objetivo é criar um plano unificado e concreto de descarbonização, capaz de orientar políticas públicas, investimentos e ações coordenadas em todo o setor.
15 alavancas para reduzir emissões e gerar valor
O estudo mapeou 15 principais alavancas de agricultura regenerativa e de baixo carbono, baseadas em tecnologias já consolidadas, como as do Plano ABC+, e em novas práticas propostas pelas entidades participantes.
Essas alavancas foram divididas entre mudança de paisagem e soluções complementares, priorizadas pelo investimento necessário por tonelada de CO₂ mitigado, para reduzir o custo ao produtor e garantir retorno econômico positivo.
As alavancas de mudança de paisagem podem mitigar entre 160 e 210 MtCO₂e até 2050, enquanto as complementares têm potencial de reduzir outros 350 a 420 MtCO₂e, aproximando o setor da neutralidade climática.
Segundo o CEBDS, 80% da mitigação viria de quatro ações-chave:
- Sistemas de plantio direto e de cobertura
- Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)
- Expansão de pastos de alto vigor
- Aumento da produtividade do rebanho
Altos investimentos e políticas de incentivo serão essenciais
Para viabilizar a transição, o estudo estima que serão necessários entre US$ 130 e 180 bilhões até 2050, em condições adequadas de financiamento, com taxas subsidiadas, prazos estendidos e períodos de carência.
Mesmo considerando o capital já existente, por meio de programas como Plano Safra e Ecoinvest, ainda haverá uma lacuna superior a US$ 100 bilhões em investimentos para alcançar o net zero.
Para reduzir isso, o CEBDS propõe sete soluções divididas em dois grupos:
Viabilizadores
- Aumentar o capital catalítico destinado à descarbonização;
- Garantir maior acessibilidade a esse capital;
- Intensificar o suporte direto a produtores;
- Impulsionar P&D de técnicas e tecnologias sustentáveis.
Incentivos
- Beneficiar produtores que adotem práticas regenerativas;
- Reconhecer ativos naturais e de biodiversidade nas propriedades;
- Regulamentar e consolidar o mercado de carbono.
Agronegócio como parte da solução climática
Com base nesses caminhos, o estudo reforça que o agronegócio brasileiro é parte essencial da solução climática, e não apenas um emissor a ser controlado.
A adoção de práticas regenerativas e de baixo carbono pode tornar o setor neutro em emissões até 2050, gerando benefícios ambientais, competitividade e segurança alimentar.
Mais do que uma meta, trata-se de uma oportunidade para o Brasil unir produtividade, sustentabilidade e liderança global em um novo modelo de desenvolvimento agrícola.
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