Prática consolidada, conceito pouco conhecido: agricultura regenerativa no Brasil

Publicado em 29.04.26

Uma pesquisa inédita realizada por Agrosmart, 4Lab, CNH e Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) revela que, embora práticas associadas à agricultura regenerativa já façam parte da rotina no campo, o conceito ainda é pouco compreendido pelos produtores brasileiros.

O estudo ouviu produtores em 19 estados e 519 municípios e mostra que técnicas como plantio direto (78,9%), uso de plantas de cobertura (75,3%) e rotação de culturas (66,4%) estão amplamente disseminadas. Ainda assim, 52,1% dos entrevistados afirmam não saber o que é agricultura regenerativa, e apenas 3,8% dizem conhecer e aplicar o conceito de forma estruturada.

O levantamento também aponta entraves relevantes para o avanço do tema, como falta de conhecimento técnico (57,1%), ausência de mercado ou preço justo (41,9%) e retorno financeiro incerto (41,4%). Mesmo entre os produtores que já adotam essas práticas, 79,2% nunca receberam incentivos econômicos.

“Os produtores brasileiros já são, na prática, mais regenerativos do que imaginam. O desafio não é convencê-los a mudar, mas ajudá-los a comunicar essa sustentabilidade e conectar o que já fazem a um mercado que reconheça e remunere essas ações”, afirma Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart.

Entre os benefícios percebidos, 70,8% relatam melhora na fertilidade do solo e 58,3% maior resiliência climática. No entanto, a dificuldade de mensurar resultados ainda limita o acesso a certificações, mercados e financiamento.

Apesar dos desafios, 69,2% dos produtores acreditam que a agricultura regenerativa deve crescer no Brasil nos próximos anos, com demanda principalmente por assistência técnica e instrumentos financeiros.

“A pesquisa mostra que o gargalo não é a resistência do produtor, mas a falta de sinal econômico. Quando perguntados, 62,6% dizem que adotariam práticas regenerativas se houvesse um mercado favorável”, destaca Thales Nicoleti, diretor da 4Lab.

A pesquisa “O Status da Agricultura Regenerativa no Brasil” foi realizada entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Como desdobramento, durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), houve o lançamento de uma cartilha para apoiar a adoção dessas práticas no país.

“A consolidação da agricultura regenerativa passa por coordenação entre os diferentes elos, com avanço em métricas, financiamento e acesso a mercado, fortalecendo a biocompetitividade do agro brasileiro”, afirma Gislaine Balbinot, diretora executiva da ABAG.

Clique AQUI para conferir a pesquisa na íntegra e baixar a cartilha da agricultura regenerativa.

“Vejo a agricultura regenerativa não como um conceito teórico, mas como uma prática que muitos agricultores brasileiros já adotam em suas rotinas produtivas. Ao patrocinar esta pesquisa, buscamos valorizar e aprofundar o entendimento sobre práticas que promovem a saúde do solo, o uso eficiente de recursos naturais e a resiliência dos sistemas agrícolas frente às mudanças climáticas”, conclui Raquel Montagnoli, Head de Sustentabilidade da CNH para América Latina.

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