Manejo de polinizadores pode elevar produtividade da acerola no Semiárido

Publicado em 04.03.26

O manejo de abelhas nativas pode aumentar significativamente a produtividade da acerola no Semiárido nordestino. Pesquisas conduzidas pela Embrapa Semiárido apontam ganhos de produção entre 32% e 103%, dependendo das condições de cultivo.

Os estudos foram realizados em áreas irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), no Vale do São Francisco, e demonstram que estratégias simples de manejo podem fortalecer a presença de polinizadores nos pomares.

Abelhas nativas impulsionam frutificação

O destaque vai para as abelhas solitárias do gênero Centris, responsáveis por 91,7% das visitas às flores de acerola nas áreas avaliadas. Diferentemente das abelhas melíferas, essas espécies constroem ninhos individuais e dependem de cavidades naturais ou estruturas adequadas para se reproduzir.

Nos experimentos, foram instalados 840 ninhos-armadilha, com taxa de ocupação de 88,21% — índice considerado elevado pelos pesquisadores. A presença das abelhas resultou em maior taxa de frutificação e aumento do peso dos frutos.

Mesmo sendo uma cultura autopolinizada, a aceroleira apresentou ganhos expressivos com a ação dos insetos, reforçando o papel estratégico da biodiversidade nos sistemas produtivos.

Produção estratégica para o Nordeste

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de acerola, com cerca de 80% da produção concentrada no Nordeste. Nos perímetros irrigados de Petrolina e Juazeiro, a cultura ocupa aproximadamente 7 mil hectares e pode registrar até oito colheitas por ano, abastecendo tanto o mercado in natura quanto a indústria de sucos e polpas.

A elevação da produtividade, portanto, impacta diretamente a renda de pequenos e médios produtores da região.

Estratégias simples de manejo

O estudo recomenda duas frentes principais: ampliar a oferta de recursos florais ao longo do ano e disponibilizar locais adequados para nidificação.

A manutenção de espécies vegetais nativas no entorno dos pomares — como murici, embira-rosa e pau-ferro — ajuda a garantir alimento para as abelhas mesmo fora do período de floração da acerola. Já os ninhos-armadilha, confeccionados em madeira perfurada e instalados em locais sombreados, favorecem a permanência das colônias.

Integração entre produção e conservação

A nova fase do projeto, em parceria com produtores e agroindústrias da região, busca validar o uso contínuo dessas práticas em cultivos convencionais e orgânicos.

Os resultados reforçam que produtividade e conservação ambiental podem caminhar juntas. Ao incentivar a presença de polinizadores, o manejo amplia a eficiência do pomar, reduz a dependência de intervenções externas e fortalece a sustentabilidade da fruticultura no Semiárido.

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