Pesquisadores da Amazônia sequenciam o genoma do açaí pela primeira vez
Genoma amplia conhecimento sobre o açaí
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Embrapa Amazônia Oriental sequenciaram pela primeira vez o genoma do açaí (Euterpe oleracea Mart.). O avanço permite identificar genes relacionados a características como produtividade, resistência a doenças e produção de compostos bioativos.
O estudo utilizou amostras da cultivar BRS Pai d’Égua e frutos de variedades de coloração roxa e verde. A comparação revelou diferenças relacionadas à produção de antocianinas, pigmentos naturais responsáveis pela coloração do fruto.
Melhoramento genético pode ganhar velocidade
As informações genéticas poderão ser utilizadas para identificar marcadores associados a características de interesse, permitindo antecipar etapas do melhoramento que tradicionalmente dependem da avaliação das plantas em campo.
Segundo os pesquisadores, o uso dos dados genômicos pode reduzir de 24 anos para cerca de oito a dez anos o tempo necessário para desenvolver novas cultivares. A expectativa é acelerar em até três vezes algumas etapas de avaliação e seleção.
Outra frente de pesquisa busca desenvolver variedades mais adaptadas ao cultivo em terra firme, condição que pode ampliar as possibilidades de produção do açaí.
Ciência amplia potencial da bioeconomia
O sequenciamento também abre novas possibilidades para a identificação de moléculas de interesse para setores como as indústrias farmacêutica e cosmética, incluindo corantes naturais e antioxidantes.
Os dados genômicos serão disponibilizados em uma base pública para apoiar novas pesquisas sobre a espécie. O trabalho dá continuidade a mais de quatro décadas de pesquisas da Embrapa com o açaizeiro e reforça o potencial da ciência para agregar valor à biodiversidade amazônica.
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