Feijão carioca vira ingrediente proteico de alto valor para a indústria

O feijão carioca, variedade mais consumida no Brasil, pode ganhar uma nova aplicação na indústria de alimentos. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), com apoio da Fapesp, desenvolveram uma proteína concentrada a partir das chamadas “bandinhas”, grãos quebrados que resultam do beneficiamento e têm menor valor comercial.
A tecnologia permite obter uma fração com 40% a 50% de proteína, que apresenta todos os aminoácidos essenciais avaliados segundo os parâmetros da FAO. O processo também reduziu em até 95% os fatores antinutricionais naturalmente presentes no feijão e melhorou características sensoriais como sabor e coloração, facilitando a utilização do ingrediente em diferentes produtos.
Tecnologia aproveita melhor a matéria-prima
O desenvolvimento utiliza o fracionamento a seco, processo que não emprega solventes e demanda menos água e energia que métodos convencionais de extração úmida. A partir da moagem e separação mecânica do grão, são obtidas duas frações: uma proteica e outra rica em amido.
Além da proteína, os pesquisadores desenvolveram aplicações para a segunda fração, incluindo snacks e outros produtos alimentícios. A estratégia permite aproveitar melhor a matéria-prima e agregar valor a um subproduto do beneficiamento.
Ingrediente pode reduzir dependência de importações
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de feijão, e o tipo carioca representa cerca de 54% da produção nacional, estimada em 3 milhões de toneladas. Durante o beneficiamento, entre 1% e 5% dos grãos podem resultar em partes quebradas.
O novo ingrediente pode ampliar o aproveitamento dessa produção e oferecer uma alternativa nacional às proteínas de soja e ervilha utilizadas pela indústria de alimentos, atualmente em grande parte importadas.
A proteína já passa por testes em escala industrial, e as tecnologias desenvolvidas pelo projeto poderão ser transferidas ao mercado por meio de pacotes tecnológicos. Para os pesquisadores, o trabalho mostra como ciência, indústria e matérias-primas nacionais podem se combinar para gerar novos ingredientes, agregar valor à produção agrícola e ampliar a competitividade da indústria brasileira de alimentos.
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