Estudo mostra que irrigação impulsiona renda, empregos e desenvolvimento no campo

Muito além de garantir água para as lavouras, a irrigação tem ajudado a movimentar a economia de regiões rurais brasileiras. Um estudo inédito da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da USP/Esalq mostra que municípios com forte presença da agricultura irrigada registram mais renda, mais empregos e melhores indicadores de desenvolvimento.
O levantamento analisou polos irrigados na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul e constatou que essas regiões apresentam indicadores econômicos e sociais superiores aos de outros municípios rurais dos mesmos estados. Entre os destaques estão maiores níveis de renda, mais oportunidades de emprego e um PIB per capita que pode ser até 256% superior
Na Bahia, por exemplo, os rendimentos médios nos polos irrigados são quase 70% maiores do que em outras áreas rurais. Já no Mato Grosso, a dependência de programas de transferência de renda é cerca de 50% menor.
Segundo os pesquisadores, a irrigação ganha ainda mais relevância diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, permitindo maior segurança na produção agrícola e melhor aproveitamento das áreas cultivadas.
O estudo também aponta que o Brasil possui amplo espaço para expandir a agricultura irrigada. Atualmente, o país conta com cerca de 8,2 milhões de hectares equipados para irrigação, mas esse potencial pode crescer significativamente nos próximos anos.
As simulações realizadas pelos pesquisadores indicam que a incorporação de novas áreas irrigadas gera impacto direto na economia local. A cada 1.600 hectares adicionados, o valor gerado pela agropecuária pode aumentar em mais de R$ 8 milhões no curto prazo, além da criação de empregos formais.
Para que esse potencial se concretize, especialistas destacam a necessidade de investimentos em energia, conectividade, qualificação de mão de obra e gestão eficiente dos recursos hídricos. Para a ABIMAQ, a irrigação deve ocupar um papel estratégico no futuro da agricultura brasileira, contribuindo para ampliar a produção de alimentos, aumentar a competitividade do setor e promover o desenvolvimento das regiões rurais.
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