Nova soja convencional alia produtividade e manejo de plantas daninhas

Publicado em 07.04.26

A Embrapa Soja (PR), em parceria com a Caramuru Alimentos, lançou a cultivar de soja BRS 579, uma nova opção para produtores que atuam em sistemas convencionais de cultivo. A variedade combina alto potencial produtivo com ferramentas adicionais para o manejo de plantas daninhas, ampliando a eficiência no campo.

Indicada para o centro-norte de Mato Grosso, a cultivar pertence ao grupo de maturação 7.9, com ciclo médio a tardio. Esse perfil permite melhor planejamento da safra, incluindo o escalonamento da colheita e a semeadura no início do plantio, contribuindo para maior organização das operações agrícolas.

Sanidade e estabilidade produtiva

A BRS 579 também se destaca pela sanidade, pois apresenta moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica) e resistência a importantes raças do nematoide de cisto da soja, fatores que impactam diretamente a produtividade em regiões de alta pressão desses patógenos.

Esse conjunto de características reforça a estabilidade produtiva da cultivar, oferecendo mais segurança ao produtor diante de desafios recorrentes no campo.

Tecnologia para manejo de plantas daninhas

Um dos principais diferenciais da BRS 579 é a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias). Essa característica permite o uso de herbicidas específicos em pós-emergência sem causar danos à cultura, ampliando as possibilidades de controle de plantas daninhas.

Na prática, a tecnologia funciona como um mecanismo de tolerância que permite maior flexibilidade no manejo, especialmente em áreas com infestantes resistentes. Isso contribui para diversificar o uso de princípios ativos e reduzir a dependência de herbicidas amplamente utilizados, como o glifosato.

Ao possibilitar a rotação de estratégias de controle, a cultivar também contribui para a sustentabilidade dos sistemas produtivos, prolongando a eficiência das tecnologias disponíveis no mercado.

Oportunidade no mercado de soja convencional

Além dos ganhos agronômicos, a BRS 579 atende a um nicho específico de mercado: o da soja convencional, livre de transgenia. Esse segmento, embora menor em área, oferece oportunidades de agregação de valor por meio de prêmios pagos ao produtor.

Atualmente, a soja convencional ocupa cerca de 420 mil hectares no Brasil, dentro de um universo de aproximadamente 47 milhões de hectares cultivados com a oleaginosa. Mato Grosso lidera a produção desse segmento, seguido por estados como Goiás, Minas Gerais e Paraná.

Com demanda relevante, especialmente do mercado europeu, a soja não transgênica é destinada principalmente à alimentação animal e a cadeias que exigem rastreabilidade e padrões específicos. Nesse contexto, a nova cultivar amplia as opções disponíveis ao produtor que busca acessar esses mercados diferenciados.

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