Indústria brasileira deve ampliar esmagamento de soja em 2027

O processamento de soja no Brasil deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2027, crescimento de 3,8% em relação aos 63,6 milhões de toneladas estimados para 2026. A projeção é da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e integra a primeira estimativa da entidade para o próximo ano.
A previsão acompanha o aumento esperado na produção de derivados, utilizados tanto na alimentação animal e humana quanto na fabricação de biocombustíveis. Para a Abiove, o ritmo de processamento reflete a demanda nacional por farelo e óleo de soja.
Farelo deve ampliar produção e exportações
A produção brasileira de farelo de soja deve crescer 3,8% em 2027, chegando a 50,8 milhões de toneladas. As exportações estão projetadas em 26,3 milhões de toneladas, avanço de 3,9% em relação a 2026.
Para o óleo de soja, a estimativa é de produção de 13,27 milhões de toneladas, alta de 3,7%. Já as exportações devem recuar 2,6%, para 1,9 milhão de toneladas. As importações também devem diminuir, com previsão de 100 mil toneladas, redução de 20% na comparação anual.
A Abiove projeta ainda exportações de 113 milhões de toneladas de soja em grão em 2027, queda de 0,8% em relação à estimativa para 2026. A produção nacional está estimada em 181,6 milhões de toneladas, segundo a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citada pela associação.
Processamento cresce em 2026
Os dados mais recentes mostram que o processamento acumulado entre janeiro e agosto de 2026 chegou a 38,67 milhões de toneladas, aumento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2025, considerando o ajuste pelo percentual amostral.
Somente em agosto, foram processadas 5,03 milhões de toneladas, volume 9% superior ao de agosto de 2025, após o ajuste amostral, mas 1,8% abaixo do registrado em julho.
Na atualização de suas projeções para 2026, a associação elevou a estimativa de esmagamento para 63,6 milhões de toneladas e reduziu a previsão de exportação de soja em grão para 113,9 milhões de toneladas. O estoque final do grão foi revisado para 7,672 milhões de toneladas, alta de 14,9% em relação à estimativa anterior, divulgada em setembro.
Biodiesel reforça demanda por óleo de soja
Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, o ritmo de esmagamento responde à demanda por farelo, essencial à produção de alimentos, e por óleo, utilizado na fabricação de biocombustíveis e destinado à exportação.
O dirigente também relaciona as perspectivas do setor à expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março. A demanda por derivados, portanto, é um dos fatores considerados pela entidade em suas projeções para a continuidade do crescimento do processamento de soja no país.
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